Todos os anos, a Comunidade acolhe em Taizé várias centenas de jovens portugueses. Com este acolhimento, os irmãos não pretendem organizar os jovens num movimento centrado na Comunidade, numa espécie de «grupos de Taizé». Procuram antes de tudo proporcionar desinteressadamente espaços de encontro com Deus e com os outros, que ajudem cada um a retomar alento e coragem para assumir compromissos ou dar continuidade a responsabilidades assumidas na vida quotidiana.
Os irmãos procuram continuamente encorajar todos aqueles que encontram a viver e aprofundar a oração e a solidariedade, que são duas vertentes essenciais na vocação da Comunidade. Numa experiência complementária ao acolhimento em Taizé, na medida do possível, os irmãos vão por vezes ao encontro de comunidades locais. Estas visitas permitem conhecer e apoiar actividades de jovens que procuram desenvolver uma vida interior de oração, que não querem fechar os olhos face ao sofrimento humano, mas sim empenhar-se na construção de um mundo mais fraterno e solidário. Através destas visitas, os irmãos procuram também ajudar os jovens a dar continuidade aos encontros de Taizé na sua igreja local.
Depois de uma breve passagem por Fátima, o irmão esteve três dias no Porto. O objectivo foi fazer os primeiros contactos com vista ao Encontro Ibérico, que terá lugar no Carnaval de 2010. A igreja das Taipas acolheu um tempo de oração com cânticos de Taizé, que vai sendo habitual todos os meses nesta igreja do centro do Porto.
A viagem do irmão continuou depois em Évora, tendo um grupo de jovens estudantes animado uma oração na Igreja do Espírito Santo. No dia seguinte foi a vez dos jovens da Diocese de Beja organizarem uma oração, na Igreja de Santo Agostinho em Moura. O Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil desta Diocese está a organizar uma peregrinação a Taizé no próximo mês de Agosto e no final da oração houve tempo para explicar aos presentes o sentido dessa viagem e dos encontros na pequena aldeia francesa.

O irmão teve ainda a oportunidade de participar num encontro diocesano de jovens algarvios. Este encontro de três dias contou com a presença de jovens Oriundos de Alcantarilha, Algoz, Almancil, Bensafrim, Boliqueime, Ferreiras, Loulé, Matriz de Portimão, Monchique, Monte Gordo, Quarteira, Quelfes, Faro e Tavira, que foram acolhidos por famílias de Aljezur, Carrapateira, Odeceixe e Rogil. Um tempo de reflexão dedicado à missão foi introduzido pelo pároco local, padre Campôa, que sublinhou o facto de sermos chamados a anunciar o Evangelho com gestos, atitudes, disposição e entrega aos outros, e não exclusivamente com palavras. Carmem Santos, uma jovem que esteve recentemente em Angola, partilhou o seu testemunho, realçando que a sua passagem por Taizé a ajudou a tomar a decisão de fazer esta experiência missionária. O irmão terminou este tempo de reflexão falando sobre a experiência de Taizé e incentivando os jovens presentes a assumirem a sua missão cristã na realidade concreta que os rodeia. O bispo diocesano, D. Manuel Quintas, participou na vigília de oração com cânticos de Taizé, na qual estiveram também presentes irmãs de uma comunidade de clausura das Carmelitas Descalças, um pastor luterano e muitos jovens e famílias da região.

Em 2008
No mês de Abril de 2008, um dos irmãos da Comunidade esteve duas semanas em Portugal para participar em encontros e visitar paróquias de diversas zonas do país.
Na Baixa de Lisboa, a igreja de São Nicolau encheu para o serão que teve início às 19h45 com uma oração, que só terminou depois de todos terem tido tempo para se aproximarem e rezarem à volta da cruz. Depois, a paróquia ofereceu uma merenda em frente à igreja, para a qual iam sendo convidados todos os que passavam na rua. De seguida, a igreja voltou a encher para um tempo de reflexão baseado na «Carta a quem gostaria de seguir Cristo».

«Em todos nós há o desejo de um futuro feliz. Mas podemos ter a impressão de ser condicionados por muitos limites e por vezes ser surpreendidos pelo desânimo» escreve o irmão Alois. E convida-nos a assumirmos as situações da nossa vida tal como elas são, com os seus limites e complexidades, de forma a podermos criar algo de novo partindo do que existe, não ficando eternamente à espera que surjam miraculosamente as condições ideais para avançarmos. Perante uma imensidão de possibilidades e uma grande variedade de caminhos possíveis, talvez muitos se sintam «tentados a não escolher, para guardar todas as possibilidades em aberto.» Mas alguém se poderá sentir feliz e realizado se ficar paralizado numa encruzilhada?
Comentando a frase «há pessoas que assumem opções corajosas para seguir Cristo na sua vida de família», a Rita e o José Maria Lopes, um casal que viveu um ano em Moçambique e espera a adopção de um filho, falaram sobre as palavras de Jesus «felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mateus 5,7): «Misericória, na sua decomposição literal ‘Miseris + cor + dare’ significa ‘ter lugar no coração para todos os que são vítimas de qualquer forma de miséria’. Somos um casal com três filhos: impedimento ou incentivo para seguir a Cristo? Na nossa vida, Cristo permanece um verdadeiro incentivo para AMAR (casamento), CRIAR (filhos), PARTIR (Missão), SERVIR (comunidade) e ACOLHER (adopção).»
António Marujo, com a sua experiência de jornalista, falou sobre «opções corajosas para seguir Cristo na sociedade», comentando a bem-aventurança «felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados» (Mateus 5,6) e o salmo 119,172: «A minha língua proclame a tua palavra, porque todos os teus mandamentos são justos»: «Uma opção corajosa ou um caminho de fragilidade? O que me move: a fome e a sede de justiça. A palavra como denúncia e anúncio. A procura da verdade, o privilégio de conhecer mais. Os desafios de fronteira: aos de ‘dentro’ e aos de ‘fora’. A questão de Deus, a busca do seu rosto. O desafio de um caminho pessoal.»

Joana Rigato, Vogal da Comissão Nacional Justiça e Paz e professora de filosofia, falou sobre «opções corajosas para seguir Cristo num compromisso pelos outros», inspirada na frase «felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mateus 5,9): «Depois de experiências em países mais pobres, compreendi o chamamento a realizar cá, na Europa, a missão de sensibilizar os meus alunos e os jovens com quem trabalho para as injustiças sociais com que estamos inevitavelmente envolvidos e para os caminhos de paz e sobriedade que somos chamados a percorrer. Mas como quebrar a barreira dos preconceitos e da sensação de impotência?»
José Tolentino Mendonça, padre e poeta, desenvolveu a interrogação «como seguir Cristo escolhendo o caminho do celibato?», baseado em Mateus 5,3: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu»: «O celibato é um caminho de seguimento de Jesus. Só se entende como experiência de amor. Por vezes, esta forma de consagração da existência é criticada por parecer muito incompleta e escassa. Quem diz isso tem razão. Contudo, aqueles e aquelas que se entregam, nesta forma total, ao amor de Jesus e dos irmãos sabem que a sede sacia, que a incompletude é, no fundo, a condição quotidiana e universal da abertura, que a escassez os torna enamorados do dom de Deus.»
No final do serão, às 22h30, a vigília de oração juntou as várias centenas de jovens presentes numa celebração da luz pascal, que procurou proporcionar um espaço para cada um rezar e reflectir nas inspirações recebidas. O 70x7 esteve nesse dia em S. Nicolau.

A viagem do irmão continuou depois na Covilhã, Guarda, Viseu, Pombal e Aveiro. Em cada uma destas etapas, os momentos de oração foram particularmente bonitos devido à presença de jovens músicos, que acompanhavam as celebrações cantando solos e tocando diferentes instrumentos.

Na Madeira, foi possível visitar a paróquia de Santa Cecília (em Câmara de Lobos), a paróquia de Santana, a Paróquia de Santo Amaro (no Funchal), a paróquia do Caniço, uma escola no Caniçal… Foi particularmente marcante um encontro com prisioneiros. A visita à ilha terminou com uma vigília ecuménica de oração, na Capela da Encarnação (Funchal), com a presença de muitos jovens e de responsáveis pela pastoral juvenil de diferentes igrejas. Está a ser preparada uma peregrinação de jovens da ilha a Taizé para o próximo Verão.
No Porto, depois de uma visita ao Colégio do Rosário, o irmão pôde participar na vigília de oração que mensalmente tem lugar na Casa de Vilar. Depois da oração, os quatro apelos do final da «Carta de Cochabamba» inspiraram um tempo de partilha. Baseados no apelo da Carta de Cochabamba para sermos «próximos daqueles que são mais pobres do que nós», alguns jovens falaram de experiências de ajuda aos sem-abrigo, de voluntariado em instituições de acolhimento de doentes mentais, com crianças órfãs e com famílias desestruturadas. Uma jovem escrevia depois que «o espaço de reflexão ajudou a uma maior consciencialização de que a repartição de bens pode ser feita muitas vezes de uma forma simples e nas pequenas tarefas do dia-a-dia.»

Em Alcanhões, um encontro com um grupo de jovens que tinha estado muito envolvido na preparação do Encontro Europeu de Lisboa, em 2004, permitiu recordar essa experiência e alimentar a vontade de não deixar morrer o entusiasmo descoberto nessa ocasião.
No final da sua estada em Portugal, o irmão esteve três dias na «Festa da Família», uma iniciativa da paróquia do Entroncamento. Reunindo várias centenas de pessoas de todas as gerações, vindas de norte a sul do país, este encontro proporcionou um «espaço de formação, partilha, oração e festa num recinto onde se realizam conferências, workshops, celebrações, concertos e muito mais… Um projecto único onde toda a família é contemplada; jovens, adolescentes, crianças e adultos vivem uma experiência de alegria, comunhão e esperança no futuro…» Houve tempo para um workshop intitulado «Um caminho de confiança» que, partindo da experiência de Taizé e da passagem sobre o chamamento de Pedro no Evangelho de São Lucas (5,1-11), procurou convidar cada um a dar mais um passo no seu caminho pessoal da confiança da fé. No serão de sexta-feira, uma vigília com cânticos de Taizé encheu a vacaria da Quinta da Cardiga para um espaço oração meditativa, reunindo todos os patticipantes desta «Festa da Família».
Em 2006
No mês de Março de 2006, um irmão de Taizé esteve dez dias em Portugal e visitou vários grupos de jovens.

No início da viagem a Portugal, houve um encontro no sul do país. Na «Folha de domingo», o jornal diocesano, podia ler-se: «O dia 11 de Março de 2006 fez história na caminhada cristã dos jovens da nossa Diocese! Centenas de jovens do Algarve estiveram reunidos para viverem uma forte experiência de partilha, reflexão e essencialmente de oração… As famílias de Aljezur ofereceram o jantar a todos…» Ao serão, a igreja paroquial foi pequena para acolher todos os que se quiseram juntar aos jovens para a vigília de oração. D. Manuel Quintas, bispo do Algarve, enviou uma mensagem aos participantes no encontro, que foi lida no início da oração: «Como sabeis, hoje, à vossa volta tudo vos convida a caminhar ‘sem Deus’, ou então paralelamente a Ele. Estou certo de que este dia vos proporcionará um ‘mergulho’ profundo e íntimo na pessoa de Cristo. Gostaria que desse encontro pessoal brotasse a decisão sincera de caminhardes enraizados n’Ele, de modo a crescerdes cada vez mais identificados com Ele… A nossa Igreja diocesana precisa do vosso testemunho jovem, do vosso entusiasmo por Cristo. Ao percorrerdes o rasto de esperança, aberto pelo irmão Roger e pela comunidade de Taizé, contribuireis para construir um mundo mais acolhedor e mais fraterno, porque iluminado por Cristo e integrador de todas as diferenças…»
Na região de Lisboa e Vale do Tejo, houve cinco encontros, que juntaram no total mais de mil jovens: Prior Velho, Olivais Sul, Barreiro, Santarém e Benedita. Inspirados pela experiência forte de oração vivida na preparação e durante o Encontro Europeu em Lisboa, vários grupos de jovens começaram a organizar regularmente orações nas suas paróquias. Nem sempre é fácil dar continuidade a estas experiências, pois o número de participantes por vezes não é muito estável, mas a perseverança de alguns tem permitido oferecer estes espaços de paragem muito importantes e tão apreciados. Nalgumas paróquias estas orações têm lugar semanalmente, noutras quinzenalmente ou mensalmente. Cada grupo procura adaptar estes tempos de oração à realidade concreta da sua comunidade. Algumas famílias que acolheram jovens no final de 2004 diziam que a «Peregrinação de Confiança» as tinha ajudado a ter uma atitude mais solidária e disponível, outras contavam como o Encontro Europeu as tinha ajudado a descobrir a sua comunidade paroquial… Um grupo de alunos de uma escola decidiu animar semanalmente uma oração com cânticos de Taizé. Como a igreja paroquial é em frente à escola, aproveitam a pausa do almoço para se reunirem lá 20 minutos em oração todas as segundas-feiras.

Em Arouca, uma vila de cerca de 3.000 habitantes a 50 quilómetros do Porto, juntaram-se várias dezenas de jovens na igreja do antigo Convento. Estes jovens, da vila e das aldeias vizinhas da Serra da Freita, costumam reunir-se semanalmente para uma oração itinerante, que tem lugar cada semana na igreja de uma aldeia diferente. Alguns deles estão a preparar uma peregrinação a Taizé para o próximo mês de Julho.
No Porto e em Viana do Castelo, foi muito bonito ver como os jovens que participaram no Encontro Europeu em Milão conseguiram dar continuidade a essa experiência nas suas comunidades locais. Ao reflectir sobre o sentido pessoal a dar ao convite para «alargar», que o irmão Roger manifestou na sua «Carta por acabar», muitos falavam de «alargar a caminhada de fé», «alargar a disponibilidade para com os outros», «alargar aquilo que partilhamos», «alargar a própria família, incluindo nela irmãos e irmãs em Cristo»… No final dum encontro, surgiu a questão: «Como poderei alargar a felicidade de alguém que esteja a sofrer (uma pessoa de idade, uma criança, um jovem sem esperança, um doente, alguém que vive na pobreza…)?»

Durante esta viagem a Portugal, houve ainda tempo para uma breve passagem pelos Açores, com visitas às ilhas Terceira e S. Miguel. Em Angra do Heroísmo, a Sé Catedral estava especialmente decorada para a ocasião e reuniu várias dezenas de pessoas para uma vigília de oração. Um pequeno grupo de jovens da Terceira está a preparar-se para vir celebrar a Semana Santa a Taizé. Este grupo teve assim uma ocasião para conhecer melhor a Comunidade e o sentido dos encontros de jovens. Durante um tempo de reflexão à volta da «Carta por acabar», a pergunta «o que me ajudou a compreender que sou amado por Deus?» ajudou os jovens a conhecerem-se melhor e a partilhar sobre a frase de S. João «Deus é amor.» Para chegar a Taizé, este grupo terá que apanhar um avião até Lisboa e depois seguir de autocarro para França. Desde Novembro do ano passado, os jovens estão a trabalhar para poderem pagar os custos da viagem. Para tal, iniciaram uma campanha de recolha selectiva de resíduos porta a porta, em colaboração com a Câmara Municipal da sua cidade de 35.000 habitantes. Para além do aspecto material, esta campanha visa também sensibilizar a população para a importância da reciclagem.

Em S. Miguel houve duas vigílias de oração, sábado à noite nas Furnas e domingo à noite em Ponta Delgada. Nas Furnas, à saída duma igreja cheia de jovens, era impressionante passear num jardim cheio de fontes, de água fria ou quente, de poças de água a ferver e de fumarolas… Domingo de manhã, uma Eucaristia foi especialmente animada com cânticos de Taizé em Fajã de Cima e da parte da tarde houve um tempo de encontro e reflexão com jovens de várias paróquias da ilha. Os jovens estavam contentes de conhecer as atividades dos grupos vizinhos e sentiram-se particularmente inspirados pela seguinte passagem da Carta: «Quem procura amar e dizê-lo através da sua vida é levado a interrogar-se sobre uma das questões mais prementes: como aliviar as penas e o tormento daqueles que estão próximo ou longe?» Alguns deles assumem compromissos que são verdadeiros sinais de esperança no mundo actual. Um jovem casal falou do tempo que viveu na Casa do Gaiato, acolhendo crianças e jovens que, por qualquer motivo, se viram privados do seu meio familiar. Dois grupos de S. Miguel participaram no Encontro Europeu em Lisboa e animam agora orações com cânticos de Taizé em diferentes paróquias da ilha.

No final do encontro numa paróquia, alguém dizia que «estes momentos, com toda a sua espontaneidade e simplicidade, permitem que jovens com vivências diferentes se encontrem, rezem juntos, partilhem sobre as suas inquietações e as suas esperanças e se estimulem mutuamente na sua caminhada de Fé e na sua procura de comunhão com Deus e com os outros.»