Noruega

Uma visita em Março de 2006

Dando continuidade às visitas a Oslo, Trondheim e Bergen em 2005, um dos irmãos regressou à Noruega no mês de Março deste ano.

A Noruega é conhecida pelas suas imensas paisagens, pela pesca, pelas suas cidades e aldeias acima do círculo polar, onde nunca se faz dia de Inverno nem noite de Verão. Contudo, a Noruega é bem mais do que isso. Uma viagem de 10 dias permitiu descobrir mais sobre a procura que anima muitos jovens e menos jovens, sobre o desejo de estarem juntos, de não avançarem sozinhos, mas com os outros, abrindo-se a eles tal como são. Num grande jornal norueguês, podia ler-se o anúncio da visita: «O irmão Roger é como que um santo pós-moderno. Ele despertava uma abertura naqueles que estavam à sua volta, sem se preocupar com o tipo de pessoa que eram. Utilizava uma linguagem do coração que recorda um novo tipo de pietismo». Com efeito, na Noruega, os movimentos pietistas têm uma grande tradição.

A visita começou um pouco ao sul de Oslo, na catedral de Fredrikstad. Em Março, a neve está ainda muito alta e seria fácil tê-la como pretexto para ficar em casa. Entre os que vieram à oração e ao encontro, estava um jovem de 16 anos com a sua irmã, um ano mais nova. A Igreja ocupa um lugar central nas suas vidas e eles passam muito tempo na paróquia. Interrogados sobre as razões por que isso era tão importante para eles, o jovem respondeu: «Oh, sabe, quando estamos juntos na Igreja e todos estão a cantar...» A beleza da música é de uma grande importância. Foi também no encontro dessa noite, durante a oração.

Em Oslo, para além de vários encontros e orações, numa das tardes houve um seminário. Todos os participantes se reuniram em «Bymisjon», a missão da cidade onde são acolhidos os que se encontram à margem da sociedade: sem-abrigo, imigrantes, toxicodependentes... A tarde começou com uma oração numa capela e continuou depois numa sala com um tempo de reflexão baseado na «Carta por acabar» do irmão Roger. Depois foram propostos dois workshops: um para ensaiar os cânticos para a oração e o outro com uma reflexão bíblica sobre o «Magnificat».
Depois do jantar e de um tempo de preparação, todos se dirigiram à catedral para, juntamente com muitas outras pessoas, participarem numa oração mais ampla, com cânticos de Taizé, à qual se juntou o bispo. Depois, para aqueles que o desejaram, houve um tempo de partilha com representantes de diferentes confissões, na cripta, com o tema «Alargar caminhos de reconciliação.» A conversa evoluiu rapidamente sobre a questão de saber como podem cristãos e muçulmanos viver juntos. Depois da polémica sobre as caricaturas, o assunto despertava o interesse de muitas pessoas.

Uma mulher pastor que trabalha com pessoas idosas em Oslo dizia que tinha visto enfermeiras muçulmanas de tal forma ancoradas na sua própria fé que não se importavam de ler a Bíblia aos cristãos do seu hospital. E sublinhava que, desde que não se tratassem de grandes ideias, mas da vida de todos os dias, os problemas de cristãos e de muçulmanos não eram assim tão diferentes e abriam-se sobre uma compreensão mútua. Interrogado sobre o que se poderia fazer a propósito dos conflitos entre cristãos e muçulmanos, o bispo - depois de ter reflectido um pouco - disse: «Nunca deixarem de se amar.»

Em Bergen, no extremo ocidental da Noruega, a igreja luterana teve de deixar o local que ocupara durante muito tempo. Decidiu instalar-se muito perto do porto, numa rua onde há prostituição e onde os toxicodependentes passam o seu tempo. Queria estar mais próxima dos pobres. Nesta mesma cidade, instalaram-se 4 irmãs missionárias da caridade. Com o seu sari branco e azul, foram rapidamente reconhecidas. De um momento para o outro, recebem dos supermercados comida, que depois elas distribuem aos mais necessitados.

No meio da floresta norueguesa, a 4 horas de carro a norte de Oslo, há uma casa de retiros. Há vários anos que um irmão de Taizé tem aí animado fins-de-semana de retiro para jovens noruegueses. Também este ano veio um bom número de jovens. Três orações por dia, introdução bíblica e pequenos grupos de partilha: como em Taizé. No sábado à noite, houve também um workshop sobre «sinais de esperança». Vários jovens deram o seu testemunho. Uma jovem falou sobre a sua experiência na Assembleia Geral do Conselho Mundial das Igrejas. Duas jovens da Libéria contaram como tinham vivido num campo de refugiados em África e como tinham procurado partilhar a mensagem do Evangelho com os outros. Houve também um jovem norueguês que falou do seu compromisso junto de pessoas dependentes do álcool e uma jovem alemã que fez uma partilha sobre os meses que passou na Palestina.

Depois, colocou-se a todos a mesma questão: quem são aqueles que, à nossa volta, são como que sinais de esperança? Puderam ouvir-se respostas como: «Todas aquelas pessoas que dizem «sim» nas suas vidas»; «Pessoas em dificuldade que se comprometem pelos outros»; Os que têm frequentemente pequenos actos de gentileza para com os outros.»

Última actualização: 2 de Maio de 2006