«Jornada da Confiança» em Chapecó

De quinta-feira 12 a domingo 15 de Outubro de 2006

Chapecó é uma cidade no sudoeste do Estado de Santa Catarina, no sul do Brasil. A diocese faz fronteira com a Argentina. No séc. XIX, foi uma região de imigração alemã e italiana. Isso era notório no momento do encontro. Daniel, um jovem brasileiro que ajudou na preparação do Encontro em Milão, o ano passado, fez este comentário: quase parece que estamos na Europa, há cá poucas pessoas de cor!

Mil quinhentos e quarenta jovens pagaram a pequena contribuição para participar nos quatro dias de encontro, entre eles alguns índios que normalmente ficam à margem deste tipo de eventos. Todos ficaram alojados em famílias, repartidos nas cinquenta e uma comunidades da Igreja de Chapecó, e todos teceram elogios sobre a gentileza do acolhimento. No último dia, domingo, juntaram-se-lhes mais três mil jovens para participar numa marcha de quatro quilómetros e na celebração final.

De todas as Jornadas realizadas no Brasil até hoje, esta foi a que recebeu o maior apoio da Igreja local. Quando a equipa de preparação chegou, no fim de Junho, havia um programa de visitas às quarenta paróquias da diocese, com as suas mil e quinhentas comunidades! Até ao início de Outubro, os jovens voluntários percorreram o interior da diocese em duas equipas. Ficaram três ou quatro dias em cada paróquia. Alguns ficaram alojados em mais de vinte famílias durante esse tempo de preparação!

Durante a Jornada, de manhã, os jovens ficavam no sector onde estavam alojados. Tudo começava com uma oração da manhã, depois faziam visitas às pessoas ou grupos em situações difíceis: doentes, pessoas idosas ou isoladas, uma casa para drogados, uma comunidade de índios, etc. Estas visitas, graças ao contacto humano directo, deixam sempre uma forte impressão. Após o almoço nas famílias todos se dirigiam a uma grande escola dos irmãos Maristas.

A tarde iniciava-se com uma oração no pavilhão de desporto decorado com TNT cor de laranja e vermelho (uma imitação de tecido muito barata, em plástico). No meio desta decoração, havia uma pequena casa índia e uma barraca de favela em plástico. Na primeira, o ícone da Santíssima Trindade, na segunda, o de Nossa Senhora com o menino. Constituiu-se um coro de uma vintena de pessoas, dirigido por Rachelle, uma jovem canadiana que fazia parte da equipa de preparação. Carlos, da cidade de Santo André, que acolheu a Jornada no ano passado, tocava guitarra com Marcos, um rapaz da Bolívia, de El Alto, onde teve lugar uma Jornada em 2004. «Cantarei ao Senhor», «Deus é amor», «Cantem céu e terra» e «Bendizei ao Senhor» eram cânticos repetidos com todo o entusiasmo.

Os jovens dividiam-se entre quinze temas sobre a vida espiritual, a Bíblia, a Igreja e diferentes aspectos da vida social, económica e política. Apesar da campanha eleitoral, salvo raras excepções, estes temas evitaram a tomada de posições partidárias. Ao fim da tarde, todos se reencontravam no átrio da escola para um lanche organizado e servido com muita gentileza pelos adultos. Entre outras coisas, muitos frutos da região que amadurecem nesta estação: tangerinas, bananas e maçãs.

De seguida, no pavilhão de desportos, as apresentações: um grupo de surdos, um grupo de cegos, o grupo de índios, um muito bom grupo de dança tradicional de cultura gaúcho local, diferentes grupos de música, testemunhos individuais. A música ouvia-se bem e era por vezes acompanhada por movimentos rítmicos ou passos de dança da assembleia.

Depois todos se viravam para a decoração litúrgica. Acendiam-se velas em vasos de argila, o coro começava a cantar e no fim do primeiro cântico toda a assembleia estava recolhida para a oração da noite. Alguns exprimiram a sua admiração por ver os jovens ficar recolhidos durante mais de uma hora! Eles não acreditavam que isso fosse possível. Na sexta-feira à noite foi a oração à volta da cruz, na qual todos participaram. Alguns aproximavam-se da cruz de joelhos. Este gesto do corpo significa muito para eles.

E o dia terminava com o regresso às famílias.

Chapecó teve um bispo remarcável, D. José Gomes, no último quarto do séc. XX. Ele soube dar confiança aos pequenos agricultores, às mulheres dos agricultores, às populações índias da diocese, aos jovens, para que eles se organizem no sentido de defender os seus interesses legítimos tanto na sociedade como na Igreja. O seu sucessor continua o mesmo trabalho e há um grande sentido de responsabilidade nas reuniões de Igreja. O ênfase sobre a luta social e política tornou-se demasiado forte. Nesta situação, os tempos de oração durante a Jornada marcaram muito. Era novo e correspondia a uma sede profunda.

Última actualização: 25 de Outubro de 2006