Meditação do irmão Alois

Para dia 15 de Agosto: «Nada é impossível a Deus»

Ícone de Nossa Senhora de Taizé

«Nada é impossível a Deus»: ao compreender que Deus precisava dela para poder vir à terra, Maria acreditou na palavra do anjo. (Lucas 1,26-38)

Ela ainda não vivia com José quando o anjo lhe disse que iria ter um filho, que seria o Cristo de Deus. O que lhe estava a ser anunciado era humanamente impossível. Ela tinha boas razões para dizer não. Contudo, disse sim. E a maneira de agir de Deus, surpreendente, inaugurada com Abraão, que confiou sem saber para onde iria, realizou-se nela de uma forma nova e única.

O Evangelho chama a Maria «cheia de graça»: desde sempre, ela era amada por Deus e preparada para o que Deus esperava dela. Nenhum dos seus vizinhos podia adivinhar o mistério que Maria de Nazaré trazia dentro de si. Não acontecem sempre os maiores mistérios num profundo silêncio? Na história, bastam por vezes algumas pessoas para mudar o curso dos acontecimentos. A confiança e a coragem de Maria foram suficientes para deixar que Deus entrasse na humanidade.

Deus esperava desta jovem um sim livre. Ela di-lo: «Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim, segundo a tua palavra». E eis que a sua fé será sujeita a uma dura prova. O nascimento de Jesus no improviso, a distância que a criança de doze anos marca em relação aos seus pais, a resposta abrupta pela qual Jesus dá a entender que há laços mais profundos do que os do sangue, tudo isso não a leva a abandonar a sua confiança.

Em Caná, ela convida os outros a entrar numa mesma confiança: «Fazei o que ele vos disser» (João 2,1-12). Ela volta a dizer o seu sim no momento em que tudo se torna incompreensível e até mesmo absurdo. Quando Jesus morre na cruz, ela está presente. É então que Jesus a confia como sua mãe ao discípulo João (João 19,25-27).

Este sim de toda uma vida é o que Deus espera de cada um de nós. É como se ele nos dissesse: «Preciso de ti para que o Evangelho possa chegar a todos os homens. Não temas os teus limites nem os sofrimentos. Eu nunca te abandonarei».

O ícone de Maria, Mãe de Deus, que nos apresenta o seu filho, mostra que ela, a primeira a ter confiado no Evangelho, nos orienta até Jesus. O ícone reproduzido aqui encontra-se na igreja de Taizé. Foi benzido em 1962 pelo Metropolita Nikodim, da Igreja Ortodoxa Russa, que nos veio visitar.

A Virgem Maria prefigura a Igreja. Na comunhão dos santos, estamos ligados a ela, como a uma mãe muito próxima. Inúmeros crentes encontraram consolação e coragem ao referirem-se a ela, na confiança de que ela está viva, junto de Deus. Muitas pessoas desesperadas encontram junto dela um apaziguamento para as suas feridas, a cura do coração.

A veneração de Maria faz parte do nosso louvor a Deus: quando meditamos sobre a maneira como Deus encarnou, adoramos Cristo e ficamos também maravilhados ante Maria.

A veneração de Maria assumiu diferentes formas segundo os locais e as épocas. (*) A começar pelo evangelista Lucas, que põe nos lábios de Maria estas palavras: «Chamar-me-ão bem-aventurada todas as gerações» (Lucas 1,48). Há hinos antigos que cantam este louvor de Maria com uma grande beleza poética: «Alegra-te, tu que conténs no teu seio Aquele que tudo contém; alegra-te, Estrela que anuncia o nascer do Sol; alegra-te, tu que acolhes na tua carne o teu filho e o teu Deus; alegra-te, tu que és a primeira da nova Criação» (Hino acatista à Mãe de Deus)

A celebração de 15 de Agosto, vinda do Oriente, provavelmente de Jerusalém, celebra o final da peregrinação de Maria. A partir de então, ela está junto de Cristo. Ele tomou junto de si aquela que o Espírito Santo tinha preparado para lhe dar a vida sobre a terra. A fé da Virgem Maria tornou-se visão. Maria atesta que a obra de reconciliação empreendida por Cristo encontra o seu cumprimento.

Os cristãos do Oriente não dizem «assunção», mas «dormição» de Nossa Senhora. A sua maneira de explicar o mistério é o de ficar, de algum modo, no limiar. Se, mais explicitamente, a Igreja Católica diz que Maria foi «elevada à glória do céu em corpo e alma» (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium 59), ela afirma que foi com toda a sua pessoa, com tudo o que fez parte da sua vida, que Maria foi acolhida em Deus.

Maria ficará sempre como o exemplo da fé. Hoje, quando um sim para sempre no casamento ou no celibato é facilmente questionado, é ainda mais importante que aqueles que o disseram o guardem vivo e o alimentem, inspirados por Maria.

Contemplar o sim de Maria, o caminho que ela percorreu até ao seu acolhimento em Deus, confirma que «nada é impossível a Deus», e isso pode levar-nos a assumir o risco de arriscar tudo na fé em Cristo.

(*) Há muitos documentos ecuménicos, entre os quais o do Grupo de Dombes («Maria no plano salvífico de Deus e na comunhão dos santos», 1997) que abrem um caminho para que todos os baptizados reconheçam em conjunto o lugar da Virgem Maria no plano da salvação, aceitando que haja diferentes formas de veneração. Como poderia a mãe do Senhor, figura da Igreja, separar-nos? Não! Ela une-nos!

O jornal francês «La Croix» pediu ao irmão Alois para escrever, ao longo do ano 2008-2009, uma meditação para cada grande celebração cristã.
Última actualização: 14 de Agosto de 2009