A Carta de Taizé

Uma opção pela alegria

A «Carta de Taizé» é publicada quatro vezes por ano.

Nesta página publicamos textos sobre o tema da Carta n. 2 de 2011, «Uma opção pela alegria». O primeiro texto completa um testemunho cujo início está publicado na Carta n.2 e comenta a nota 3 da Carta do Chile.

Fiodar (Bielorrússia)

A alegria é fonte de salvação; é viver já no Reino de Deus, aqui e agora. Ela dá também à Igreja uma perspectiva escatológica: é na falta dessa perspectiva que o Pe. Alexandre vê a razão dos problemas da Igreja.

O mundo secularizado não pode reconhecer a alegria, porque quer ser sério, «adulto». Contudo, Jesus não nos chama a sermos «sisudos» ou severos: dá-nos o mandamento de sermos como crianças pequenas (Mt 18,3). Apenas as crianças sabem verdadeiramente o que significa a alegria. Apenas elas podem receber cada dia como uma nova vida; apenas elas se alegram sinceramente com o presente. A nossa vocação a sermos como crianças significa que, apesar de tudo, nos deveríamos alegrar. O Pe. Alexandre chama-nos não apenas a receber a salvação como uma alegria, mas a considerar a própria alegria como a salvação.

Cristo não veio fundar uma religião que estivesse em concorrência com as outras. Nele, Deus partilhou a nossa condição para que cada ser humano se saiba amado com um amor de eternidade e encontre assim a sua alegria numa comunhão com Deus. Quando acreditamos nele, os nossos olhos abrem-se ainda mais a tudo o que é humano – o amor de uma mãe pelo seu filho, a dedicação dos que cuidam de doentes… nestes actos de generosidade, Cristo está presente, por vezes sem ser reconhecido.
María Gabriela (Venezuela)

Na nossa paróquia universitária, temos ocasião de trabalhar com crianças e adolescentes vindos de classes sociais desfavorecidas, a maior parte deles privados de um bom sistema educativo e de um lar estável onde poderiam receber a afeição de que precisam para construir a sua vida de adultos. Mesmo se por vezes parece difícil, o trabalho produz sempre os seus frutos, com a ajuda de Deus. O objectivo principal deste trabalho é mostrar a estas crianças que podem ter uma opção de vida diferente, que, com Cristo, encontram as respostas de que precisam; trata-se por fim de os educar e de lhes ensinar os valores que não recebem em casa.

É indescritível a satisfação que sentimos ao servir os que mais precisam. Apercebermo-nos da alegria destas crianças, cheias de gratidão pelo pouco que lhes podemos oferecer, enche-nos de esperança e de força para enfrentar as duras realidades da vida de todos os dias.

O lema deste trabalho exprime-o bem: «Preferimos acender uma luz do que criticar a obscuridade». Para vencermos o que nos oprime, muitos de nós decidimos esforçar-nos para servir o nosso próximo, com a esperança de que as diferenças políticas e sociais, que nos mantêm numa incerteza constante, possam um dia ser ultrapassadas.
Não podemos mudar tudo, não podemos evitar que as infelicidades aconteçam, mas o pouco que podemos é o facto de nos entregarmos a Deus e de servir os nossos irmãos.

A paróquia universitária dá-nos a possibilidade de crescer na fé e ajuda-nos a compreender e a ultrapassar muitas das adversidades que enfrentamos como jovens: ela dá-nos a possibilidade de viver em comunhão com Deus, num mundo a que falta espiritualidade. Partilhar com outros jovens que têm as mesmas incertezas que nós permite que nos ajudemos uns aos outros, que ofereçamos uns aos outros um ombro onde nos apoiarmos. Isso motiva-nos a trabalhar, servir, amar e descobrir quais são os nossos talentos para que eles dêem muitos frutos.

Gostaríamos sempre de tentar reencontrar a alegria de viver. De onde nos vem essa alegria? Ela é desperta pela surpresa de um encontro, pela duração de uma amizade, pela criação artística ou ainda pela beleza da natureza…
Erika e Riccardo (Itália)

Conhecemos pessoas que levam uma vida simples e que estão sempre alegres; elas fazem-nos perceber que a alegria é uma verdadeira riqueza da vida.

Quando casámos, descobrimos que a alegria é contagiosa. Muitos ofereceram o seu tempo e as suas competências para um objectivo belo, que procura uma alegria colectiva. Acreditamos que a alegria mais pura e mais duradoura encontra-se no dom gratuito de nós próprios aos outros. É importante redescobrir as razões da alegria num mundo em que o bem-estar esconde por vezes uma tristeza subjacente, uma solidão interior. Fazer desabrochar com um sorriso a vida dos outros pode não mudar muita coisa, mas pode também fazer nascer um desejo de alegria. Compreendemos também, no nosso pequeno quotidiano, que é necessário deixar espaço para que a alegria se desenvolva: por vezes, um dia muito rico pode abafar pequenos espaços de alegria autêntica. Procuramos deixar-nos inspirar pela alegria, dando-lhe espaço, dizendo-a com palavras e pela nossa vida.

Quando, em várias ocasiões, a Bíblia convida à alegria, mostra qual é a sua fonte. Esta alegria não depende apenas das circunstâncias momentâneas; ela brota da confiança em Deus: «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos… O Senhor está próximo.»
Teet (Estónia)

Num período de tristeza, de solidão e de obscuridade, quando parece que não há qualquer sentido para a vida, consigo apesar de tudo, escutar as palavras de Jesus que estão escritas no meu coração: «As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-me. Ninguém as pode arrancar da mão do Pai» (Cf. Jn 10, 27.29b). É uma fonte de esperança e de alegria saber isso no meu coração: o que quer que aconteça, posso sempre ouvir a sua voz. Ele conhece-me e eu sigo-o. Nenhuma força me pode levar para longe dele, porque o Pai conservou-me entre as suas mãos.

No seguinte documento encontram-se os testemunhos de jovens publicados na Carta de Taizé:

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