Istambul, Janeiro de 2013

Testemunhos de jovens

Algumas semanas após a peregrinação a Istambul, jovens de vários países e de diferentes igrejas escreveram um testemunho sobre a sua experiência. Nesta página publicamos alguns excertos.

Maud (França) – um caminho de confiança e de paz

Para mim, estar em Istambul em 2013 foi também estar em Bizâncio e em Constantinopla séculos atrás! E, no fundo, foi também percorrer o curso da nossa História, regressar a um dos locais de origem da nossa religião cristã. Gostei muito de ir ao encontro destas Igrejas que eu em França pouco conhecia e descobrir estas formas de celebração diferentes - tudo é salmodiado e cantado. Mas um dos momentos mais fortes que vivi foi durante a oração da noite de sexta-feira, quando os irmãos e os diversos representantes das igrejas se ajoelharam juntos para rezar à volta da cruz colocada no chão. Comovi-me ao pensar que, nesta Epifania, estávamos todos juntos em oração pela paz, pela unidade entre os cristãos, com o mesmo desejo de continuar este diálogo e estes encontros e que eu, pessoalmente, também estava a contribuir para esta paz e para esta esperança! Senti-me bem assim, e pronta para continuar neste caminho de confiança e de paz.

Olga (Ucrânia) - um dom de comunhão

Durante a peregrinação a Istambul, para celebração da Epifania do Senhor, tive a oportunidade de visitar quase todas as principais igrejas e paróquias da cidade, bem como o Mosteiro da Santíssima Trindade na ilha de Heybeliada. Mais do que tudo o resto, recordo o momento em que visitámos o museu Aya Sofya, protótipo da Catedral de Santa Sofia, na Ucrânia. Tive a impressão de estar nas origens da cristandade. Sinto-me infinitamente grata ao Senhor por me ter dado este grande dom de comunhão com todos aqueles que partilham a fé.

Stefan (Alemanha) - da «Roma antiga» à «nova Roma»

Que aventura! Passar do Encontro Europeu na «Roma Antiga» a uma peregrinação na «nova Roma», Constantinopla, hoje Istambul, num país, numa cidade onde não é nada fácil ser-se cristão... Talvez justamente por isso tenha sido um forte sinal para as comunidades cristãs locais: irmãos e uma centena de jovens de 25 países, de diferentes tradições eclesiais, reuniram-se ali para rezar, para se encontrarem e para celebrar a Epifania do Senhor.

Hoje, a Igreja cristã na Turquia é pequena e a divisão em várias tradições não ajuda a viver uma vida segundo o Evangelho. Ao mesmo tempo, existem aspectos muito fortes nestas igrejas locais: numa metrópole como Istambul, a Igreja pode ser como uma família, onde todos se conhecem. Devido à sua pequena dimensão, estas igrejas também se podem apoiar mutuamente. Alguns, especialmente na geração mais jovem, empenham-se pela unidade entre cristãos ortodoxos arménios, católicos gregos, sírios, latinos e protestantes. Em Istambul, a diversidade do corpo de Cristo está presente.

Acima de tudo, a hospitalidade das comunidades e famílias que nos acolheram foi espectacular. Um dos momentos altos do encontro foi o testemunho dado por refugiados, migrantes provenientes de minorias étnicas, e aqueles que cuidam deles nas situações mais difíceis. Os seus rostos e as suas vozes permanecerão na minha memória, nesta peregrinação tão especial.

Tatyana (Rússia) - aprender mais sobre a minha igreja

Regressei à Rússia com muito interesse pela liturgia ortodoxa, as tradições, a iconografia, a música e a vida dos Padres da Igreja e dos santos, homens e mulheres. Aqueles que criaram um dia estas tradições foram inspirados pelo Espírito. Não tenho a mínima dúvida... agora. E no entanto havia tantas dúvidas quando, por exemplo, São João Crisóstomo pregou e agiu no seu tempo nesta parte do mundo. Foi até perseguido... Devemos continuar e trazer a luz que tantas pessoas testemunharam.

Continuei esta descoberta no Natal, a 7 de Janeiro, um dia depois do meu regresso a casa. Eu e os meus pais estávamos a ver a oração das Vésperas na televisão, presidida pelo Patriarca Kirill na igreja de Cristo Salvador. Pensei que seria uma boa oportunidade para os meus pais aprenderem algo mais sobre a Igreja. E, de facto, graças às traduções e comentários sobre os cânticos, os gestos do sacerdote ou até mesmo sobre as suas vestes, descobri muitas coisas... apesar de ir à igreja todos os sábados à noite e todos os domingos. Tudo isto me encheu de alegria e de amor pela minha Igreja. O Espírito Santo encontra sempre uma maneira de vir até nós, como o fez aqui de forma inesperada pela televisão.

Gijs (Holanda) – o ecumenismo em acção

Em Istambul, poderia pensar-se que, por haver tão poucos cristãos, cada um precisa verdadeiramente do outro. E no entanto é triste constatar que, mesmo nestas circunstâncias, nem sempre é fácil estarmos juntos. O irmão Alois disse que é importante fazermos juntos tudo o que podemos: rezar, falar sobre a nossa fé, ajudar aqueles que têm necessidades.

Durante o encontro, senti que, mesmo se o ecumenismo é ainda um combate, todos temos boa vontade... É preciso reconhecer que às vezes é difícil, e não podemos esperar milagres amanhã, mas podemos apesar de tudo avançar. Como o irmão Roger escreveu no seu diário «Viver o inesperado», podemos «participar num movimento duplo: por um lado renovar a partir de dentro, sem descanso, tudo o que o pode ser no povo de Deus; e, por outro lado, assumir o risco de permanecer na vanguarda».

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