As pequenas fraternidades provisórias em 2014 e 2015


Slavonsky Brod (Croácia)

Na continuidade de um compromisso junto dos refugiados, em Novembro/Dezembro, Samuel (Alemanha), Joshua (Holanda) e Jaap Jan (Holanda) viveram quatro semanas em Slavonsky Bros (Croácia), trabalhando com o Serviço dos Jesuítas para os Refugiados. Aqui estão algumas impressões:

Nós trabalhamos muito nos campos. Os refugiados são registados e recebem um piquenique antes de se reunirem numa tenda aquecida. Tentamos estar ao lado deles e servi-los. Colocamo-los em relação com pessoas apropriadas, sorrimos, falamos, respondemos às perguntas, reunimos famílias, animamos crianças.
Os olhos das crianças fazem com que avancemos, mesmo estando cansados. Um Iraquiano dizia-nos : «Se nós vemos voluntários isso aquece-nos o coração. Não conseguimos compreender como as pessoas podem dar o seu tempo e desistir das suas camas quentes para estar connosco durante a noite e nos ajudarem.»
É tão comovente ver os refugiados calmamente juntos depois de terem passado experiências tão difíceis. Partilhar esperança de um tempo melhor une-os, ou melhor, une-nos a todos. Quando estão de luto, nós estamos igualmente com eles, em silêncio. Quando eles rezam, nós rezamos com eles, em silêncio.
Tentamos também de animar um pouco a vida comunitária dos voluntários. Fazemos a cozinha. Tentamos « servir quem nos serve ».
Mesmo que não exista lugar para a nossa oração, pudemos convidar quatro dos nossos colegas para uma oração no campo para os refugiados e voluntários. Por vezes os nossos co-voluntários muçulmanos convidam-nos a dizer a bênção.


Dresde (Alemanha)

Em novembro de 2015, Lea (Alemanha), Anna (Polónia) e Michaela (Alemanha) viveram numa pequena fraternidade provisória em Dresde:

Preparámos uma tarte de maçã e visitámos uma senhora de idade que não pode mais participar às orações da assembleia. Ela estava tão contente de ter a quem falar, e nós também. Cantámos juntos... Para as nossas orações da noite cada um estava convidado e assim nós éramos diversos, gente da paróquia e amigos de Taizé. Por vezes só estávamos entre nós.

Raphaella, contacto da paróquia que os acolheu, escreveu também:

Em Gorbitz vivem muitas pessoas que tiveram de abandonar seus países. As três jovens, por vezes, acompanham alguns deles para o hospital, como um Sírio que nem fala alemão, nem Inglês. Nós vivemos todos este momento como uma grande bênção. Algumas coisas planeadas não se realizam, mas portas inesperadas foram abertas.

Duas semanas depois desta experiência, Anna escrevia ainda :

Por enquanto ainda tenho a impressão de lá estar, tento continuar a viver como lá: especialmente pelas orações, com a necessidade de encontrar pessoas de maneira simples e de partilhar as suas vidas...


Budapeste (Hungria)

Três jovens voluntários, Samuel (Holanda), Adam (Reino Unido) e Petr (República Checa) estiveram um mês na Hungria. Foram acolhidos pelos jesuítas de Budapeste, para viver como pequena fraternidade provisória num país marcado nestas últimas semanas pela passagem de dezenas de milhares de refugiados.

Eles ajudaram em vários projectos do Serviço Jesuíta aos Refugiados, juntamente com uma jovem voluntária húngara enviada de Taizé, que foi recebida por uma família.

Passavam os dias no Fót, um centro de refugiados para crianças e jovens com menos de 18 anos. Eles também foram dois a dois à fronteira austro-húngara e à fronteira croata-sérvio, onde ajudaram a distribuir alimentos, chá quente, roupas e cobertores. Por vezes, eles permaneciam lá durante a noite, para substituir os voluntários locais que estavam muito cansados.

Estão aqui algumas passagens tiradas dos seus diários:

«Quando chegámos a Fót esta manhã fomos recebidos calorosamente pelos meninos que conhecemos ontem. Começámos o dia procurando fazer o lugar mais acolhedor e confortável... Uma das crianças tirou uma foto comigo e mostrou-ma depois. O sorriso em seu rosto era realmente importante para mim.»
 
«Para nós, era claro que queríamos ter as refeições com os refugiados. Mas isso não era assim tão óbvio para eles… O facto de estarmos na mesma fila, para recebermos a mesma comida simples, surpreendeu-os muito.
Alguns deles vieram até nós, deixando seus pratos guardados pelos outros, para nos servir um copo de água. Até partilharam connosco amendoins e biscoitos que tinham recebido. Os muros entre nós eram assim abatidos.»
 
«Ao pequeno-almoço podíamos rapidamente perceber os que tinham acabado que de chegar. Os novos passavam na fila de uma maneira um pouco rude, ao contrário dos que já cá estavam que eram amáveis e respeitadores das regras. Um dos rapazes, um afegão que podia falar inglês e que parecia ser o chefe, tinha posto de lado um pouco de comida para um de nós que tinha chegado mais tarde.»
 
«Desde o primeiro dia, reparámos que eles gostavam muito de música, principalmente de cantar. Trouxemos então uma guitarra. Surpreendentemente, alguns deles perguntaram-nos se poderíamos ensinar-lhes a tocar guitarra. Para começar, sentámo-nos num círculo e cantámos e ouvimos as suas músicas.»
 
«Quase todos estão prontos a ajudar e a trabalhar connosco. Nós hoje tínhamos lavado algumas janelas e portas. A maior parte deles estão conscientes que esta casa é para eles e para aqueles que vão vir depois deles. Muitos dentre eles vieram hoje até nós com ideias de nomes para esta casa, parece que este lugar será nomeado: ‘Happy House’».
 
«Hoje eles celebram a festa de ‘Eid Mubarak’ e nós perguntámos-lhes como a queriam fazer. É uma festa muçulmana em memória do sacrifício de Abraão. Por esta ocasião, eles têm o hábito de comer bastante. Normalmente é preciso um cordeiro. Mas estavam felizes com a comida simples, fruta fresca e frutos secos. O mais importante para eles era estarem bem arranjados, penteados e de barba feita.»
 
«Era também muito bonito ver como os rapazes se respeitavam mutuamente e como eles tentavam ser abertos uns para os outros, e para nós também. Durante a festa, a maior parte do tempo nós estávamos sentados num círculo, com música afegã, e havia sempre alguém que dançava.»
 
«Um dos meninos, Ibrahim do Paquistão, chamou-me à parte durante a dança e mostrou-me todos os pratos, simples, mas coloridos, que estavam por trás do círculo de meninos com sorrisos. No meio do círculo, três jovens dançavam com os pés descalços sobre um tapete árabe. Ele disse-me: ’Isto é a felicidade!’»
 
«No sábado, levei três estudantes húngaros ao Fót, para os introduzir neste sítio e os incentivar à ideia de acolher os refugiados. De início estavam bastante críticos. Expliquei que devíamos fazer o que podíamos para tornar a vida dos refugiados mais feliz…»
 
«Na hora do almoço, sentei-me à mesa com meninos iraquianos. Um dos meninos disse-me que ele amava cebolas. Depois do almoço, fui comprar cebolas. Quando lhas dei, havia uma verdadeira alegria nos seus olhos. Eu não pensava que dar 4 cebolas a alguém iria criar tal felicidade.»
 
«Sou muito sortudo por ter sido enviado para a Hungria para ajudar. Eu gostaria de poder fazer mais, e espero que outros jovens possam agora continuar. Gostaria muito que todos pudessem compreender que essas pessoas fugiram do perigo, da guerra, da tristeza e do desespero e que caminham na direção da liberdade, da esperança, de um futuro. Temos de compreender isso e ajudá-los.»
Samuel (Holanda), Adam (Reino Unido) et Petr (República Checa)


Granollers (Espanha)

Bom dia de El Xiprer! A Merce vive num centro de acolhimento, ela é a sua alma. No andar de cima vivem famílias. Neste centro, há também o banco alimentar, uma lavandaria, uma cozinha profissional, uma grande sala, alguns escritórios, chuveiros e, num edifício ao lado, uma capela. Há uma distribuição de alimentos sete dias por semana e o almoço é oferecido para cerca de 50 pessoas com dificuldades sociais. O pequeno-almoço é oferecido a pessoas sem-abrigo, na sua maioria jovens imigrantes africanos. À cerca de 40 anos que também se organizam reuniões da comunidade duas vezes por semana, para orações e celebrações.
 
A Merce é uma mulher muito simpática e sua casa está aberta a todos. Temos orações de Taizé na capela, três vezes por dia, e todos podem participar. A Merce, a Tere e o Xavi, que vivem em El Xiprer, vão lá muitas vezes, bem como os voluntários e pessoas assistidos pelo centro. Duas vezes por semana, em vez de animarmos uma oração de Taizé, juntamo-nos à oração da comunidade. As celebrações de sábado à noite são vivas e profundas. Cada domingo à noite, oramos meia hora em silêncio pela paz, de acordo com uma das propostas do irmão Alois para 2015. Estes tempos de oração são importantes para nós, porque são uma pausa nos nossos dias activos e porque nos permitem pensar, refletir e orar por estas pessoas. Mesmo que não sejamos bons cantores, fomos capazes de criar um clima de oração: isso é um milagre para nós!
 
Na parte da manhã, ajudamos o banco alimentar. Preparamos carrinhos de comida para serem distribuídos, enchemos as prateleiras com produtos e preparamos pacotes de farinha, legumes, frutas, ovos, cebolas e batatas. O empenho dos voluntários, essencial ao funcionamento do centro, é impressionante. Partilhamos um almoço no «comedor» com as pessoas em necessidade. Os sorrisos são importantes para podermos partilhar algo com eles. Aos poucos, fomos sendo aceites. Na parte da tarde temos algum tempo livre. Para partilhar entre nós, dormir, preparar as orações ...
 
O mais importante para nós durante este tempo foi conhecer pessoas. Muitos delas partilharam connosco, de uma maneira profunda e sincera, as suas vidas e a sua fé.
Marie (França), Marketa (República Checa) e Martina (Alemanha)


Bellvitge (Espanha)

O nosso tempo em Bellvitge, como pequena fraternidade, chegou ao fim. Tivemos muitas e diferentes experiências aqui, ricas e intensas. Demonstraram grande hospitalidade para connosco e as pessoas da paróquia ficaram muito felizes por nos conhecer.
 
Vivíamos em Bellvitge, que é um bairro da segunda maior cidade da Catalunha, Hospitalet de Llobregat, a 30 minutos de metro do centro de Barcelona. Bellvitge foi fundada há pouco mais de 50 anos e a paróquia é ainda mais jovem. Foi construída em 1993 e integra num único edifício a igreja, a capela, uma pequena biblioteca, alguns pequenos escritórios (para os padres e empregados da fundação La Vinya), um banco alimentar, muitas salas de reunião e o nosso apartamento.
 
A oração era um momento muito importante para a nossa pequena fraternidade. Rezávamos três vezes por dia numa pequena e antiga capela chamada «la Ermita», a apenas 3 minutos a pé do sítio onde vivíamos. Rezar juntos uniu-nos uns aos outros e à paróquia. Na Ermita, quase sempre se juntava alguém a nós para rezar.
 
Trabalhámos todos os dias na paróquia: ajudando no banco alimentar, pintando as salas e trabalhando com as crianças numa colónia de férias.
 
Gostámos muito de conhecer as pessoas e de partilhar um pouco das suas vidas. Aqui, as pessoas vivem a solidariedade de forma muito concreta, mas, de igual modo, de uma forma muito discreta. Isto significa, principalmente, trabalhar em conjunto e tirar o tempo para se escutarem e partilhar as alegrias quotidianas. Solidariedade não significa ter muito para dar ou ser muito eficaz a ajudar, mas sim estar presente para os outros e simplesmente partilhar com eles.»
 
A nossa vida em comum foi também uma oportunidade para crescer e aprender umas com as outras. Temos personalidades muito diferentes e tivemos que lidar com algumas tensões, algumas vezes devido a diferenças culturais. Na vida em comum, juntas, tivemos que lidar com a nossa própria pobreza: sentimo-nos muitas vezes impotentes para superar as tensões e os problemas mas a oração ajudou-nos imenso a confiá-los em Deus e a manter a paz no coração...
 
Deixámos Bellvitge ontem à noite e tivemos que dizer «Adios» (e Adeu!) às pessoas da paróquia.
 
Todas nos sentimos mais ricas com esta experiência.
Natalie (Alemanha), Miriam (Alemanha) e Lena (França)

Hérouville Saint Clair (França)

O mês de Maio terminou, bem como a pequena comunidade provisória em Hérouville Saint Clair e estamos tão felizes por termos tido esta maravilhosa experiência.
 
As três jovens, Sarah, Jule e Caterina foram muito estimadas por onde quer que passassem pela sua autenticidade, a sua atenção, a sua disponibilidade. Foram muitas as pessoas que vieram às orações diárias e redescobriram a alegria de uma simples oração - beleza e acessibilidade. Isso uniu as pessoas de uma forma promissora no futuro.
 
O que também foi muito bom foi o facto das tomadas de decisão serem feitas em conjunto, apesar de não se conheceram previamente. Abriram-se alegremente a tantas pessoas e experiências, mesmo que às vezes tivessem que pedalar a alta velocidade para chegar de um lado a outro! Desde oficinas de artesanato com doentes mentais, a passeios com pessoas portadoras de deficiência física, fazer jogos com pessoas de idade e solitárias, encontros com crianças ou alunos do ensino secundário, capelania de estudantes, distribuição de comida... o ritmo era muitas vezes bastante acelerado!
 
Dizer adeus no final da Eucaristia Dominical diante de toda a congregação foi realmente emotivo! Primeiro que tudo, houve uma enorme gratidão aos Irmãos de Taizé que tiveram a ideia destas pequenas comunidades e a verdade é que elas foram mesmo concretizadas... Foi um grande estímulo pôr outras fantásticas ideias em prática, trazendo aquela alegria da comunhão e da partilha!
Padre Michel, Herouville


Dusseldorf-Gerresheim (Alemanha)

Estamos alojados num pequeno apartamento numa simpática da cidade de Gerresheim. Rezamos de manhã no apartamento e à noite nas igrejas Católicas e Protestantes (todos os segundos dias). Normalmente, juntam-se a nós cerca de 20 a 30 pessoas. Ajudamos num lar de idosos com demência: fazemos jogos com eles, passeamos, ajudamos nas refeições... Acho que este lugar nos ensina e mostra como a nossa presença por si só pode ajudar - a maioria das pessoas normalmente não fala sequer alemão, eles não reconhecem as pessoas à sua volta mas sentem que está alguém com eles e lhes dá atenção. E isso conta muito. Às vezes rezamos à tarde com alguns dos convidados na pequena capela, existente no lar.
 
Duas vezes por semana vamos à escola primária para brincar com as crianças e ajudá-las nos seus trabalhos de casa. Vamos também ao infantário, maioritariamente para refugiados. Participamos também em projetos sociais que lhes são dedicados, por exemplo um café internacional, onde refugiados da zona são convidados a tomar um café e um pedaço de bolo e a passar algum tempo juntos num ambiente agradável. No passado Domingo realizou-se um workshop de bicicletas - aqueles que não podem pagar os concertos nas suas bicicletas podem trazê-las e estas são reparadas gratuitamente. Alguns trabalhadores sociais encontraram também algumas bicicletas que ofereceram a algumas pessoas. Acontecem muitas pequenas iniciativas como estas nesta zona de Dusseldorf, onde vivem muitos refugiados. É muito bonito de ver!
 
Aos sábados visitamos a Igreja Copta Ortodoxa; participamos nas missas e conhecemos pessoas que nos acolhem como membros das suas famílias. Na verdade, é mesmo isso que parece - depois da missa, todos se reúnem numa sala grande, cada um leva algo para comer e eles partilham, conversam, riem... São organizados também encontros para jovens. No último Domingo tivemos uma oração com músicas de Taizé e depois, um encontro acerca da vida em Taizé. Alguns planeiam ir a Taizé este Verão! No Domingo anterior houve um workshop acerca das diferenças culturais entre a Alemanha e o Egipto.
 
O nosso horário é bastante equilibrado. Há dias cheios de trabalho e de eventos mas também temos tempo para nós mesmos, para darmos um passeio, visitar a cidade ou apenas para passarmos juntos a noite no nosso apartamento.
 
Recebemos muitos convites todas as semanas. As pessoas parecem muito contentes por nos terem cá, pelos nossos encontros e pelas orações.... e nós também. Às vezes parece que damos tão pouco e recebemos tanto.
 
Gostaríamos também de pedir que rezassem por todos aqueles que nos acolhem aqui.
Ebba da Suécia, Mareike da Alemanha e Nawojka da Polónia


Sélestat (França)

Estamos já na nossa última semana aqui. Nas primeiras três semana participamos em diferentes programas sociais (distribuindo roupa e comida, lares para os idosos...). Além disso, temos três orações por dia; as orações do almoço e da noite são abertas a todos. Vêm pessoas todos os dias para almoçar; rezam connosco e trazem algo para comer.
 
Tomamos parte nas celebrações da Semana Santa em Sélestat e fomos a Estrasburgo para a Missa Crismal.
 
Recebemos um caloroso acolhimento e estamos muito felizes por fazer parte do encontro ecuménico nesta zona.
 
É maravilhoso ver como tantas pessoas estão envolvidas em programas sociais e nas paróquias. Nos inúmeros contactos que fizemos é claro e evidente que a solidariedade começa no estar juntos, na proximidade, e está enraizado não em grandes projetos mas num amor fraterno.
 
Apenas para partilhar a vida quotidiana de uma forma muito simples, sem a pretensão de mudar o mundo, é a nossa forma de viver uma nova solidariedade.
Anna, Regina e Annika da Alemanha


Birmingham (Inglaterra)

Em Janeiro e no início de Fevereiro acolhemos Jenny e Jurg, um jovem casal suíço, na nossa comunidade durante cinco semanas. Juntos, durante cinco semanas, nós os cinco formamos uma dessas «pequenas fraternidades provisórias». Era um bocadinho diferente das outras fraternidades, uma vez que convidamos dois novos membros para uma comunidade que já existia e que continuaria a existir depois da sua partida.
 
Juntos, descobrimos novas formas de ser comunidade. Comendo juntos, vivendo juntos, conversando e rindo juntos, crescemos a conhecermo-nos uns aos outros. Estas cinco semanas foram muito mais que uma experiência partilhada.
 
Contrariamente às nossas expetativas iniciais, e talvez esperança, que podíamos encontrar outros que esperavam fazer o mesmo compromisso de longo prazo como nós, esse não foi o caso até ao momento. O que encontramos, repetidamente, foram pessoas que querem partilhar esta vida por curtos períodos de tempo. Esta é uma revelação que, não vou negar, traz alguns desafios, ambos na necessidade de restabelecer relações com novas pessoas, e em termos de não ter encontrado ainda outros com quem partilhar as responsabilidades de longo prazo para a realização da vida e da visão da comunidade.
 
Mas se os desafios têm sido inegáveis, as alegrias também têm sido imensuráveis. Não são fáceis de listar, estes milhões de pequenas coisas que partilhámos. Viver juntos trouxe novas descobertas, novas experiências, novos encontros. Ser apoiado por outros numa rotina partilhada de oração. Partilhar diferentes posições teológicas mas sabendo que ainda nos podemos sentar e fazer as refeições juntos, como uma família.
 
Aprendemos que há alturas em que é melhor não nos agarrarmos às nossas decisões de forma intransigente, ou tentar amarrar as pontas soltas demasiado ordenadamente. Ao mesmo tempo, no meio das mudanças normais e de renovações, aprendemos a importância e a necessidade de estabilidade. É, paradoxalmente, a experiência de tanta mudança que nos relembra de nos agarrarmos firmemente ao âmago da nossa visão para aquilo que esperamos que esta comunidade possa vir a ser. Embora grande parte da nossa vida possa parecer diferente daquilo que imaginamos inicialmente, parece-me certo que os valores fundamentais e estruturais não são discutíveis.
 
Por agora, acho estar satisfeito em assentar para este equilíbrio de provisoriedade e permanência que parece caracterizar esta aventura até ao momento.
Carrs Lane Lived Community


Roterdão (Holanda)

Chegámos a Roterdão.
 
Para nós, o programa no início era demasiado e muito preenchido mas depois de o discutirmos foi possível mudá-lo ligeiramente. Na primeira semana rezávamos e comíamos em Paradijskerk e não tivemos muitas oportunidades de descobrir outras realidades. No futuro, acho que é boa ideia ter orações em diferentes igrejas.
 
O Paradijskerk e as Irmãs de Amor que nos acolheram foram incrivelmente compreensivos e nós estamos em dívida para com eles por serem tão acolhedores. Agora estamos finalmente no ritmo de organizarmos juntos as nossas orações três vezes ao dia e os trabalhos que temos que fazer em antecipadamente - tal como abrir a igreja, acender as velas e tocar os sinos. O último trabalho é aquele que mais gostamos. Dois sinos tocados à mão, ao mesmo tempo, é um desafio mas estamos a melhorar. Menos como sinos de alerta e mais como delicados repiques de igreja!
 
Gostamos mesmo de ver cada vez mais pessoas a vir às nossas orações. Os jovens que aqui têm continuado fielmente as orações desde o Encontro Europeu de há quatro anos, abraçam-nos mesmo debaixo das suas asas, e é encantador ver algumas caras familiares. Todas as sextas feiras os jovens da paróquia organizam uma oração e esta noite teremos o Bispo Católico a rezar connosco.
 
Estamos também muito envolvidos nos vários projetos por toda a cidade. Até agora despendemos tempo a ajudar as Missionárias da Caridade dando comida aos sem abrigo. Participamos em parte da «Viagem de Fé» dos bispos indo aos encontros de jovens das paróquias, somos voluntários na Pauluskerk e em muitos outros eventos organizados pela Paradijskerk.
Alina e Michaela da Alemanha e Sorcha de Inglaterra


Montpellier - Montferrier - Prades (França)

A nossa pequena fraternidade provisória ficou hospedada em Montferrier-sur-Lez em Montpellier, numa escola secundária Católica. De manhã conhecemos pessoas que vivem nas ruas ou que não estão adequadamente alojadas e que foram recebidas pela organização sem fins lucrativos «Stop» em Montpellier. Quando falámos com essas pessoas, e principalmente quando as ouvimos, ficámos a conhecer uma realidade diferente. As suas vidas são frequentemente difíceis mas elas precisam de falar, de ser ouvidas. Também as acolhemos nas nossas orações.
 
Para além disso fomos também convidados a participar em Capelanias e grupos de jovens em toda a diocese de Montpellier. Com eles tivemos algumas discussões muito interessantes, incluindo questões relacionadas com a vocação e as características de diferentes crenças já que a nossa pequena comunidade é ecuménica.
 
Tivemos a oportunidade de participar de Missas e orações com diversos grupos religiosos: as Monjas de Belém no seu mosteiro em Mougères, os frades Dominicanos, o padre encarregue das pessoas acolhidas na organização «Stop», duas paróquias Protestantes, várias paróquias Católicas, o Bispo e a equipa da casa diocesana… Para além disso, fomos convidados a uma Mesquita.
 
Esta viagem permitiu-nos perceber que é realmente possível viver juntos, orar, compartilhar refeições e sentimentos entre pessoas de diferentes origens, culturas e línguas. Estamos muito gratos a todos aqueles que tornaram esta experiência possível e tão agradável.
Xiaochen da China, Cândido de Portugal e Lukas da Alemanha


Chatillon (França)

É difícil acreditar que já se passaram cinco semanas e que já estamos de regresso a casa. É igualmente difícil encontrar as palavras para descrever a nossa experiência. Estamos imensamente gratas à nossa paróquia de Chatillon e à comunidade de Taizé por nos ter possibilitado viver esta experiência que tanto mudou as nossas vidas.
 
Embora o início tivesse sido difícil, nada foi tomado como um dado adquirido. A aproximação de pessoas oriundas de quatro países diferentes com culturas e origens diferentes leva o seu tempo… Mas no final, os nossos esforços deram frutos: chegámos como estranhas umas para as outras, mas saímos como amigas e até mesmo como irmãs.
 
Os dias foram muito variados; às vezes participávamos nas atividades da paróquia, outras vezes, íamos a Paris ou a algum lugar na diocese para ver como os cristãos lá vivem.
 
Também percebemos a importância da oração comunitária. Foi muito útil para as nossas vidas diárias despender de tempo conjuntamente para oferecer a Deus o que tínhamos experienciado.
Amandine, Katharina, Sandra e Chimène


Leeuwarden (Holanda)

O relógio avança, o tempo passa e eis que já estamos aqui há um mês. A nossa aventura aproxima-se do fim, chega a hora da partida, das despedidas, das recomendações… o coração está cheio de alegria e as nossas malas cheias de recordações. É tempo de retomarmos o curso normal das nossas vidas, o parêntesis terminou, há que levantar a cortina! Agora temos que regressar à vida quotidiana, aos nossos hábitos e tradições, reencontrar as famílias, os países… mas a diferença é que crescemos, amadurecemos e mudámos! Sim, hoje podemos afirmar: conseguimos criar uma pequena fraternidade, estamos conscientes do aspecto provisório do que fizemos, mas estamos felizes de o termos realizado. Foi certamente uma das melhores experiências que podíamos ter vivido: tentar construir algo tão forte e intenso, tão exigente e animado!
 
Estamos reconhecidas a todas as pessoas que nos acolheram aqui, de perto ou de longe, no trabalho ou na igreja. A todas estas pessoas graças às quais esta experiência de vida permanecerá gravada para sempre nas nossas memórias, dizemos: OBRIGADA!
Camille


Amstetten (Áustria)

Rezamos em casa todas as manhãs. É muito bom poder começar cada dia com cantos e silêncio. Mesmo se por vezes é difícil levantar cedo, todas nós estamos motivadas para rezar e apreciamos a oração da manhã. Depois de tomar o pequeno almoço juntas, partimos para as diferentes actividades. Duas de nós vão duas vezes por semana ajudar num «mercado social», onde as pessoas sem muito dinheiro podem comprar comida a baixo preço; a terceira vai ajudar numa loja de roupa em segunda mão. Nestes locais, estamos ao serviço, bebemos café e passamos a manhã com as outras pessoas que lá trabalham. Nas terças-feiras, visitamos um mosteiro onde a maioria das irmãs são bastante idosas. Passamos algum tempo com elas, ajudando-as um pouco.
 
Quase todos os dias, temos a oração do meio-dia na igreja de um convento em Amstetten, onde freiras franciscanas rezam, às vezes acompanhadas por algumas classes da escola do convento. Também almoçamos no refeitório desta escola, onde encontramos os professores.
 
Na parte da tarde, temos outras atividades: visitas a pessoas idosas dum grupo organizado pela Cruz Vermelha na segunda-feira, a um grupo para adolescentes com dificuldades de aprendizagem na quinta-feira e recreação infantil na sexta-feira. Todas as noites temos oração, quase sempre na igreja ao lado da nossa casa, e muitas vezes algumas pessoas da comunidade local vêm juntar-se a nós. Por vezes vamos a uma oração com cânticos de Taizé organizada por um grupo noutro lugar ou organizamos nós uma oração noutra igreja
Ashley, Nynke e Wilma

Mantova (Itália)

Os nossos dias foram estruturados em torno de três orações por dia e serviço na Cáritas local. Servimos comida a pessoas de baixos rendimentos, passámos tempo com elas, lavámos loiça, fizemos limpezas, embalámos alimentos e fizemos diversas pequenas tarefas. Tivemos também um grande número de encontros: com grupos de jovens, nas escolas, em várias igrejas, e também com o bispo de Mantova. Desta forma, pudemos dar testemunho sobre a nossa vida em comunidade, a nossa motivação e a nossa fé.
 
Algumas reuniões foram muito desafiadoras. Por exemplo, os adolescentes faziam perguntas que nos faziam pensar mais profundamente sobre a nossa própria fé. Muitos eram agnósticos e cépticos em relação à Igreja, mas conversámos com honestidade e pareceu-me que em certo sentido conseguimos encontrar palavras adequadas para situações muito diferentes. Convidámos todos a vir às nossas orações. Por vezes rezámos sozinhos, mas às vezes estavam muitas pessoas connosco. Houve também um pequeno grupo que veio regularmente às nossas orações.
 
Durante a estadia, fomos acolhidos pela paróquia de Suzzara. E devo dizer que todas as pessoas (sacerdotes, voluntários, senhoras que trabalham na cozinha) foram extremamente acolhedoras e simpáticas connosco. Penso que foi uma excelente experiência para ambos os lados. É estranho: viemos com as mãos vazias, mas pudemos dar e receber muitíssimo! Sentimo-nos como se fôssemos uma só família.
Tobias

Bragança (Portugal)

Mal podemos acreditar que já passaram as duas primeiras semanas da nossa estadia em Bragança. Estamos a gostar muito deste tempo. Encontramos pessoas extremamente simpáticas e generosas.
 
Também estamos muito contentes com o nosso trabalho, numa instituição com diferentes tipos de trabalho social. A maior parte do tempo estamos com pessoas de idade que vivem na pobreza. Cantamos com elas, levamo-las à igreja e, sobretudo, procuramos falar com elas. Como nós não falamos todas português, no princípio a comunicação era um pouco difícil. Mas aprendemos que também podemos comunicar com uma mistura de diferentes línguas e de sorrisos. Duas vezes por semana, trabalhamos com crianças de famílias pobres. Gostamos muito de estar com estas pessoas. Todos os dias aprendemos qualquer coisa e elas tornam-se cada vez mais familiares. Adoramos passar o tempo com elas.
 
Nas nossas orações comunitárias, há sempre pessoas que vêm rezar connosco.
Lisa, Magarete e Anna, em Bragança


Moresnet (Bélgica)

A Ruta, a Ines e a Pascale já regressaram a casa depois de uma experiência de vida em pequena fraternidade provisória no nosso Foyer Jean Arnold, em Moresnet (na Bélgica). Fica a memória de quatro semanas muito intensas de encontros. Todos aqueles que vieram partilhar as nossas refeições ou as orações ficaram muito contentes com a visita e o incentivo destas três jovens: idosos, estudantes e jovens que se preparam para o Crisma, doentes e pessoas com deficiência, pobres e sem-abrigo, tal como os membros da nossa comunidade...
 
Vivemos muitos momentos bonitos, mesmo em situações que nos podem deprimir como quando somos confrontados com o sofrimento dos outros e as suas fragilidades. Mas a alegria esteve sempre presente, tal como tempos de silêncio e de gratidão.
 
Estamos na fronteira de três países e mais uma vez percebemos o quão importante é encontrar uma linguagem comum e ouvirmo-nos uns aos outros. A oração comunitária conduziu-nos, aliviou-nos e deu-nos sempre um novo impulso.
 
No Foyer John Arnold, todos estamos gratos por ter tido connosco esta pequena fraternidade provisória.
Renate, Moresnet


Roanne (França)

A nossa ida a Taizé no dia 13 de Setembro, para irmos buscar as jovens que fazem agora parte da pequena fraternidade provisória, foi um belo momento de partilha e de alegria. Fomos 47 pessoas a fazer a viagem. A participação na introdução bíblia e nos pequenos grupos de partilha foi muito apreciada. Quando encontro as pessoas que foram, ainda hoje me agradecem.
 
A Marlene, a Michelle e a Katja estão bem instaladas na paróquia de Sta. Anne. Podem deslocar-se de bicicleta na cidade para irem à Cáritas, à igreja, ao centro Notre Dame… Quando têm que ir a sítios mais distantes, há sempre alguém para as levar de carro. As pessoas ficam muito tocadas ao ver estas jovens dar o seu tempo livre para ir ao encontro dos outros.
 
Os momentos de oração são bonitos, mesmo se ainda não tem havido muita gente a participar.
 
Esta visita é realmente uma promessa de relações que vão crescer, em compreensão mútua e unidade na zona de Roanne!
 
Obrigado!
Isabelle Dumas, Roanne


Kiev (Ucrânia)

O que mais me impressionou ao viver estes dias em Kiev foi a alegria das pessoas que encontramos. Ficam contentes por nós termos vindo de Taizé à Ucrânia simplesmente com o desejo de conhecer e tentar ajudar. Acho que é importante para eles verem que algumas pessoas estão dispostas a vir ter com eles após os recentes acontecimentos.
Ilan (França), em Kiev
Uma coisa que eu gosto aqui em Kiev é que nas liturgias ortodoxas se canta muito. Até agora, havia sempre um coro que cantava lindamente, pelo menos a duas vozes. Nas grandes celebrações, por exemplo no domingo no mosteiro de Lavra, houve um coro que deu à liturgia a beleza de um concerto.
Matthias (Alemanha), em Kiev


Bruxelas (Bélgica)

A passagem de uma pequena fraternidade provisória na casa do «Poverello» está a correr bastante bem, tanto para o Bram, o Benjamin, o Marcos e o Paulo como para nós, a família do «Poverello» (isto é, voluntários e convidados que chegam para uma refeição ou para ficar por um tempo cá em casa.) Todos os dias, mais de 700 refeições são preparadas e servidas em vários centros do «Poverello», em Bruxelas; também podemos alojar 55 pessoas. Para as pessoas que aparecem no «Poverello», além dos problemas materiais ou de ordem prática, há sobretudo uma necessidade de encontrar descanso, equilíbrio e contacto com outras pessoas.
 
A pequena fraternidade provisória organiza-se bem para poder ter os seus três momentos de oração quotidiana. Nesses momentos de oração, na capela da nossa casa, participam também os nossos voluntários e às vezes os hóspedes do «Poverello».
 
Vemos que os quatro jovens se empenham com dedicação no trabalho e se interessam pelo que vivemos no «Poverello». Para todos nós, a sua presença e a sua oração são verdadeiramente um apoio e um incentivo!
Johan, pela família do «Poverello», Bruxelas


Porto (Portugal)

«É difícil acreditar que já passou mais de metade do tempo da nossa estadia no Porto. Sentimo-nos abençoadas por encontrar pessoas entre os 2 e os 87 anos que parecem estar verdadeiramente felizes por nós aqui estarmos, mesmo se na verdade é um privilégio para nós poder ver um pouco do mundo através do olhar delas.
 
Temos a impressão que as pessoas se sentem tocadas pela nossa decisão de deixar por um tempo as nossas vidas quotidianas para conhecermos esta paróquia e este bairro, para vivermos e rezarmos com eles de forma um pouco especial, para interagirmos aonde legiões de turistas passam sem parar e para descobrirmos o quanto têm para dar e partilhar aqueles que são materialmente desfavorecidos.
 
Mesmo se a barreira da língua é por vezes um desafio, com muitos erros de gramática e algumas frases em «portunhol», a linguagem do amor, do serviço e da dedicação parece ser bastante apreciada.
 
Temos a sorte de estar envolvidas em diferentes áreas de trabalho do centro social da paróquia. Acompanhamos as crianças mais novas ao parque infantil e verificamos que, com a excitação e o entusiamo, não se esquecem de guardar o chapéu na cabeça. Apoiamos o trabalho com os sem-abrigo (um deles falou-nos do gosto que tem em tocar guitarra e nós fizemo-lo descobrir os cânticos de Taizé, que ele muito aprecia!) Fazemos ginástica com pessoas de idade e acompanhamos algumas velhinhas adoráveis, que têm dificuldade a andar, a ir tomar café ou a visitar familiares.
 
E também organizamos três orações por dia: uma para nós as três, de manhã, outra mais breve ao meio-dia, com as pessoas com quem trabalhamos, e uma ao fim da tarde na igreja de São José das Taipas, onde vêm pessoas da paróquia mas também de outras zonas do Porto que parecem apreciar o facto de lhes trazermos um pouco de Taizé (com os ícones, os livros de cânticos, o ritmo de oração e, assim o esperamos, muitas outras coisas…)»
Jeanne, Judith e Yolanda, no Porto

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