Brasil

Um primeiro passo... depois de uma presença de 40 anos.

No Brasil, nas favelas e nos bairros pobres, como aquele onde vivem os irmãos em Alagoinhas, muitos cristãos frequentam uma das múltiplas igrejas evangélicas. Encontram lá apoio e consolação para a semana. Um irmão partilha alguns ecos de uma celebração no dia de Pentecostes de 2014:

Em breve fará 40 anos que estamos no Brasil e no dia de Pentecostes houve, pela primeira vez, uma oração ecumênica na nossa Igreja.

As igrejas pentecostais celebram o Pentecostes todos os dias, não apenas uma vez no ano como as igrejas «históricas». A fé surge todos os dias de novo. Em bairros de periferias como o nosso, o Cristo vivo é anunciado sobretudo pelas igrejas pentecostais.

Neste dia de pentecostes estava conosco uma comunidade impressionante de 40 pessoas, gente «da rua» de Salvador. Eles passaram o fim de semana conosco fazendo retiro. Alguns deles faziam pertenciam a igrejas pentecostais.

Alguns pastores de várias igrejas evangélicas «históricas» vieram encerrar a semana pela unidade conosco aqui. Assim resolvemos convidar também os nossos vizinhos, membros das igrejas pentecostais, para uma oração em conjunto, na tarde de Pentecostes. Os membros sobretudo da Assembleia de Deus, a igreja pentecostal com mais história (105 anos), aceitaram assim pela primeira vez o convite para uma oração conjunta na nossa igreja, pela unidade de igreja. A semana de oração ecumênica termina no Brasil no dia Pentecostes.

Para nós tratava-se de uma oração pela unidade, no entanto durante a celebração apercebi-me de que ninguém de entre os fiéis das igrejas pentecostais falava de unidade, apesar do sermão de um dos pastores pentecostais acerca do texto bíblico 1 Cor 1: «... acaso está Cristo dividido?» Todos louvaram a Deus, pela fé, que nos é comum, a nós os irmãos de Taizé e os «crentes» católicos que se reúnem normalmente na nossa igreja, e aos «crentes» das igrejas pentecostais do nosso bairro, onde representam a grande maioria.

A oração pela unidade transformou-se numa celebração de louvor e testemunho da fé, que nos é comum. Isto é na verdade um enorme passo em frente, a confiança cresceu, contudo o caminho para uma comunidade visível entre todos, os que acreditam em Jesus, esse parece ainda bastante oculto. É preciso acrescentar que normalmente a um fiel de uma igreja pentecostal não é nem permitido ultrapassar a porta de uma igreja católica. Uma igreja católica é, como já no tempo da reforma no século XVI, um templo pagão cheio de imagens de ídolos. Não estou também certo se algum dos católicos que estiveram presentes - eles pertencem na maioria das vezes a bairros socialmente mais favorecidos, alguma vez participou de um culto numa igreja pentecostal.

Um primeiro passo... depois de uma presença de 40 anos.

Printed from: http://www.taize.fr/pt_article17126.html - 19 September 2018
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