Março de 2016

Visita a Taizé do director do «OFPRA»

Sexta-feira 11 de Março, o director do serviço francês de protecção dos refugiados – «Office français de protection des réfugiés et apatrides» (OFPRA) – Pascal Brice, acompanhado por Marie Salord, magistrada responsável pela secção jurídica do OFPRA, vieram de Paris visitar os refugiados acolhidos em Taizé e ver a impressionante vaga de solidariedade que se manifestou na região para os acolher.

A visita

Depois de uma breve visita dos locais onde se organizam os encontros internacionais de jovens, Pascal Brice e Marie Salord encontraram os jovens migrantes que chegaram de Calais no mês de Novembro [http://www.taize.fr/pt_article19914.html].

Como os irmãos tinham manifestado disponibilidade para acolher refugiados, onze jovens migrantes do Sudão e do Afeganistão vivem agora em Taizé. Estes jovens, todos muçulmanos, estão alojados numa casa da aldeia, ao lado da casa dos irmãos e dos locais utilizados pelos jovens peregrinos que visitam a Comunidade.

Os jovens migrantes puderam apresentar-se e explicar brevemente as razões que os levaram a deixar o seu país e as suas famílias e contar as desventuras da viagem que os conduziu a Taizé. Muitos deles perderam entes próximos no conflito do Darfur, onde alguns dos seus familiares ainda se encontram, em campos de refugiados.

Os Sudaneses passaram várias semanas na Líbia, alguns mesmo vários meses, antes de se aventurarem a atravessar o Mediterrâneo. O seu projecto não era vir para a Europa, mas simplesmente encontrar um lugar seguro para viver em paz. Chegados a Calais, foi-lhes proposto partir para a pequena aldeia de Taizé. Pascal Brice agradeceu aos migrantes o facto de terem feito confiança a esta proposta e também por terem confiado à França o tratamento do seu pedido de asilo.

Depois deste encontro, a delegação do OFPRA visitou duas famílias de refugiados iraquianos cristãos. Uma destas famílias, um casal egípcio-iraquiano com uma filha de 7 anos, está em Taizé desde 2010. A outra família, um casal com dois filhos de 3 e 6 anos, chegou a França em Junho de 2015, viajando directamente de Erbil, no Curdistão iraquiano, a convite da Comunidade.

Os habitantes da região participam calorosamente no acolhimento dos refugiados: há voluntários que vêm regularmente ensinar francês e ajudar as crianças a fazer os trabalhos de casa, médicos que trataram gratuitamente aqueles que ainda não tinham direito a apoios da segurança social, vizinhos que os levam a passear ou a andar de bicicleta… Impunha-se por isso um encontro com alguns voluntários, para poderem partilhar com a delegação vinda de Paris as questões e alegrias relacionadas com este contacto com os refugiados.

Muitos voluntários expressaram grande reconhecimento aos refugiados e disseram o quanto receberam com a presença destes. Também manifestaram incompreensão perante certas dificuldades administrativas. A partilha, franca e aberta, permitiu a todos compreender melhor a complexidade das situações e também a procura permanente, impulsionada pelas administrações, de melhorar os inevitáveis defeitos do sistema. A atenção às pessoas e o respeito pela dignidade humana estão na base de um bom acolhimento de migrantes.

A visita a Taizé do director do OFPRA e da responsável pelo seu serviço jurídico terminou com um jantar sudanês, requintadamente preparado pelos jovens refugiados.

Alguns links

O «Journal de Saône-et-Loire» [http://www.lejsl.com/edition-macon/2016/03/11/la-communaute-de-taize-jmnl] publicou uma reportagem fotográfica sobre esta visita.

O irmão Alois também escreveu recentemente um artigo sobre a questão dos refugiados na Europa, que foi publicado em vários jornais europeus. Em Portugal foi publicado no jornal Público [http://www.publico.pt/mundo/noticia/perante-as-migracoes-ultrapassemos-o-medo-1724282] e no Semanário Ecclesia [http://agencia.ecclesia.pt/semanario/revista/153/#/page/21].

Printed from: http://www.taize.fr/pt_article20394.html - 13 November 2019
Copyright © 2019 - Ateliers et Presses de Taizé, Taizé Community, 71250 France