Esquema de uma oração

Como podemos continuar a rezar juntos? Esta pergunta surge frequentemente depois de uma visita a Taizé ou da participação num Encontro de Taizé. Eis alguns elementos que podem ajudar a preparar uma oração meditativa que «não tem princípio nem fim».

Para iniciar a oração, escolher um ou dois cânticos de louvor.

Salmo

Jesus rezava estas antigas orações do seu povo. Desde sempre que os cristãos encontraram aí uma fonte. Os salmos reintegram-nos nessa grande comunhão de crentes. As nossas alegrias e tristezas, a nossa confiança em Deus, a nossa sede e mesmo as nossas angústias encontram uma forma de expressão nos salmos.

Uma ou duas pessoas lêem ou cantam os versículos de um salmo. Todos respondem com um Aleluia ou outra aclamação, cantada depois de cada versículo. Se o salmo é cantado, eventualmente apoiado por um garganteio da assembleia, os versículos escolhidos devem ser curtos, geralmente duas linhas (uma melodia ténue improvisada sobre o acorde final da aclamação que é mantido pela assembleia); se os versículos são lidos, estes podem ser mais longos. Não hesitar em escolher apenas alguns versículos do salmo, aqueles que são mais acessíveis. Não é necessário ler o salmo na íntegra.

Leitura

Ler a Sagrada Escritura é aproximar-se «da fonte inesgotável que proporciona aos homens sedentos o próprio Deus» (Orígenes, século III). A Sagrada Escritura é uma «carta de Deus à sua criatura» que faz «descobrir o coração de Deus nas palavras de Deus» (Gregório Magno, século VI).

Numa oração feita com regularidade é costume fazer uma leitura contínua dos livros bíblicos.

Cada leitura é introduzida por «Leitura do...» ou «Evangelho segundo São...» Se há duas leituras, a primeira pode ser escolhida do Antigo Testamento, das Epístolas, dos Actos dos Apóstolos ou do Apocalipse; a segunda é sempre do Evangelho. Entre as duas leituras, insere-se um cântico meditativo.

Antes ou depois da leitura, pode haver um cântico da luz. Canta-se um cântico que celebra a luz de Cristo. Durante esse cântico alguns jovens ou crianças avançam, de vela na mão, para acender uma candeia, colocada sobre um lampadário. Este acto simbólico recorda que, mesmo quando a noite se torna densa, na vida pessoal ou na vida da humanidade, o amor de Cristo é um fogo que nunca se apaga.

Cântico

Silêncio

Quando tentamos encontrar palavras para expressar a comunhão com Deus, a inteligência encontra-se rapidamente limitada. Mas, nas profundezas da pessoa humana, pelo Espírito Santo, Cristo reza mais do que nós imaginamos.

A voz de Deus não se cala, mas Deus nunca se quer impor. Frequentemente, a sua voz escuta-se como um murmúrio, num sopro de silêncio. Permanecer em silêncio na sua presença, para acolher o seu Espírito, é já uma forma de rezar.

Não se deve procurar um método para alcançar o silêncio interior a qualquer preço, suscitando um vazio em si próprio. Durante o silêncio, somos convidados a deixar Cristo rezar em nós, com a confiança de uma criança e, assim, um dia descobriremos que as profundezas da pessoa humana são habitadas.

Numa oração comunitária, é melhor fazer um único momento longo de silêncio (cinco a dez minutos) em vez de vários momentos curtos. Se aqueles que participam na oração não estão habituados a um tal silêncio, é importante, no final do cântico que precede o momento de silêncio, anunciar: «Continuaremos agora a oração permanecendo um momento em silêncio.»

Oração de intercessão ou de louvor

Uma oração feita de preces ou de aclamações breves, acompanhadas por um garganteio e ritmadas por um refrão cantado por todos, pode ser como uma «coluna de fogo» no seio da oração comunitária... Pelas intercessões, a nossa oração estende-se a toda a família humana: confiamos a Deus as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos seres humanos, dos pobres e de todos aqueles que sofrem. Pela oração de louvor, celebramos tudo o que Deus é para nós.

Uma ou duas pessoas exprimem alternadamente as preces ou as aclamações da oração, que é introduzida pelo refrão e segue o seu ritmo. O refrão cantado pode ser «Kyrie eleison», «Gospodi pomilui» (Senhor tem piedade) ou outro. O refrão também pode ser declamado pela assembleia, consoante o que estiver indicado na proposta de oração: «Vem, Senhor Jesus!», «Glória a ti, Senhor!», etc. Nos casos em que se propõe um refrão, ele também pode ser dito ou cantado pelo leitor ou solista, ou mesmo omitido, passando o refrão da assembleia a ser o Kyrie ou o Gospodi.

Uma vez concluídas as preces ou aclamações escritas, pode ser adequado oferecer aos participantes a possibilidade de uma expressão espontânea, para as orações que saem dos seus corações. Ter cuidado para que estas sejam breves e se dirijam a Deus: não se devem transformar num diálogo horizontal onde, crendo falar a Deus, se deseje na realidade transmitir aos outros as suas próprias ideias. Cada uma das preces espontâneas é concluída pela mesma resposta, cantada por todos.

Pai Nosso

Oração de conclusão

Cânticos

No final, a oração pode-se prolongar através de cânticos. Um pequeno coro permanece a cantar com aqueles que desejam continuar a rezar.

Os outros podem ser convidados a um tempo de partilha em pequenos grupos, num local próximo, por exemplo sobre um texto bíblico, com o apoio das «Meditações bíblicas». Na Carta de Taizé encontra-se, para cada mês, uma proposta para as «Meditações bíblicas», isto é, um tempo de silêncio e de partilha, a partir de um texto bíblico.

Informações sobre os livros de orações ou sobre outros elementos que podem ajudar na oração, podem encontrar-se na secção «Livros, CD e vídeos»

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