Taizé 2013: Relatos e testemunhos

Ao longo de 2013, esta página será actualizada regularmente com notícias da vida na colina.

Setembro: Ecos do grupo de reflexão «rumo a uma nova solidariedade»

Durante todo o Verão, os jovens que o desejaram puderam participar num grupo de reflexão inspirado na «Carta 2012-2015» do irmão Alois. O objetivo deste grupo era viver uma semana intensa de procura e partilha, mas também preparar um workshop para o final da semana, de modo a que todos os jovens presentes em Taizé pudessem aproveitar as suas descobertas. O grupo também acolheu alguns convidados especiais, que passaram alguns dias em Taizé.

Entre aqueles que foram convidados a encontrar os jovens esteve a irmã Cécile Renouard, que falou sobre ética na economia, a partir da sua pesquisa e da sua experiência em vários países do sul. O jesuíta Henri Madelin falou sobre o acolhimento de refugiados e migrantes. Jonathan Miles, com a sua família protestante de origem americana, explicou, por vezes de forma emotiva, o trabalho da organização «Shevet Achim», que ajuda crianças palestinas, iraquianas e sírias a serem operadas ao coração em hospitais israelitas.

Os voluntários que viveram um mês em Huelva, em Espanha, também partilharam a sua experiência, juntamente com o pároco. O deputado no Parlamento Europeu Philippe Lamberts animou um debate sobre a responsabilidade dos cristãos na busca do bem comum. Finalmente, no início de Setembro, o último orador foi o bispo de Orão, o dominicano Jean-Paul Vesco, que ajudou os jovens a reflectir sobre os possíveis canais de diálogo entre crentes de diferentes religiões.


Agosto: Um Verão muito ecuménico em Taizé

Em Agosto, estiveram em Taizé ainda mais peregrinos do que em Julho. Na maior semana do ano, a igreja da Reconciliação, com as suas extensões, não foi suficientemente grande para acolher todos os que estavam em Taizé: alguns irmãos foram rezar com jovens numa grande tenda onde foi transmitida a oração comunitária.

Nestas semanas, a diversidade confessional também foi grande. Passaram por Taizé muitos jovens da Roménia, da Ucrânia, da Sérvia, da Rússia, da Bielorrússia: a maioria deles eram ortodoxos e vários grupos vieram acompanhados pelo seu padre. A acompanhar grupos de jovens estiveram também vários bispos anglicanos e protestantes. O bispo Fischer, da Igreja Protestante do Baden, também veio a Taizé para falar sobre a preparação do Encontro Europeu em Estrasburgo [rubrique495.html].

Estiveram também em Taizé vários bispos católicos, da Bélgica, do Japão, da Bósnia-Herzegovina, dos Estados-Unidos, entre outros. O Bispo de Autun (Diocese onde se situa Taizé), D. Benoît Rivière, veio um domingo celebrar a Eucaristia e visitar os irmãos.

O Cardeal Koch, Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, em Roma, veio alguns dias a França para visitar a Comunidade de Taizé e a Diocese de Autun. Em Taizé, teve encontros com os irmãos, com um grupo de jovens voluntários de várias origens eclesiais e culturais e com jovens ortodoxos orientais presentes em Taizé. Na véspera da sua partida, o Cardeal Koch também animou um workshop no final da tarde: perante um grande número de jovens, falou sobre o tema «Da dúvida à Fé – como avançar numa vida com Deus?»

Bridgit (Estados-Unidos)
O que eu mais gosto em Taizé é o facto de a comunidade dos crentes se concentrar mais sobre o que une os cristãos do que sobre o que os divide. No meu país, parece que damos mais atenção ao que nos separa. Como luterana, sinto-me muito orgulhosa pela herança e pela tradição desta confissão. Mas por vezes é difícil trabalhar com pessoas de outras denominações que não são menos orgulhosas da sua igreja! Em Taizé, no entanto, não falamos sobre a minha igreja ou sobre a tua igreja, falamos da Igreja. Se eu estiver a conversar com alguém sobre as diferentes formas que utilizamos para celebrar Deus ou sobre as várias verdades que nós ou as nossas comunidades descobriram e os sinos começam a tocas, estas diferenças deixam imediatamente de ser importantes. Sentamo-nos juntos para adorar o Deus que todos nós amamos. Taizé inspira-me para procurar ultrapassar as barreiras que separam luteranos de metodistas ou protestantes de católicos. E até cristãos de muçulmanos e crentes de não-crentes. Somos todos filhos de Deus que buscam a verdade! Quando nos lembramos disso, e da nossa unidade em Cristo, então podemos trabalhar juntos e tornar-nos Igreja.

Julho: Certamente uma bela época do ano em Taizé

Desde os primeiros dias de Julho, uma multidão de jovens peregrinos enchem a colina. Domingo após domingo, os autocarros deixamos que chegam e levam os que partem. Outros peregrinos vêm de transportes públicos, de carro, de bicicleta ou mesmo a pé...

Nessas grandes semanas, nos domingos a maioria das tendas e salas são utilizadas para a recepção dos jovens, adultos e famílias, que são acolhidos na sua própria língua.

A partir de segunda-feira, há cerca de vinte introduções bíblicas em diferentes lugares, consoante a faixa etária… e num local separado a introdução para os jovens em silêncio. O tema deste ano são as «Propostas para 2013» do irmão Alois sobre as fontes da confiança em Deus.

No final da tarde, duas vezes por semana, um momento de silêncio e de escuta é proposto à hora dos workshops. Na igreja, os jovens entram para um momento de oração silenciosa e podem dirigir-se a um dos irmãos ou a uma das irmãs para compartilhar alguma questão mais pessoal.

Franziska (Alemanha)
Durante a minha estada de três meses em Taizé, tive experiências que me ensinaram muito sobre a vida e sobre a fé. Encontrei uma alegria profunda e uma confiança simples em Deus e no meu futuro. Durante o tempo que aqui vivi, descobri que a vida pode ser sempre bonita, porque nunca estamos sozinhos e para Deus o impossível é possível. É claro que é mais fácil viver isso quando rezar três vezes ao dia se torna normal, mas eu vou tentar levar essa alegria no meu coração, na minha vida quotidiana. Se permanecermos próximos de Deus, a vida será sempre rica e cheia de sentido.

Junho: a colina está pronta para a grande afluência estival

As maiores semanas do ano em termos de afluência vão agora começar. No mês de Junho, os que estão mais tempo em Taizé prepararam-se para o novo Verão. Ao longo das últimas semanas, os mais numerosos foram jovens vindos da Suécia. Começando pelos de África, os voluntários dos vários continentes começaram a animar um workshop todos os sábados para apresentar os seus países. Vindos da Bielorrússia com dois sacerdotes, jovens ortodoxos também propuseram uma animação musical, com cânticos do seu país.

Uma visita importante foi a do conselho da Federação protestante de França, com o seu pastor Claude Baty. Nessa semana, foi organizado um encontro para eles com pastores vindos de diversos países: Suécia, Alemanha, Inglaterra ; mas também Coreia, Taiwan, Estados Unidos… Um bispo católico do Burundi também esteve em Taizé durante alguns dias.

Visita a Taizé de um bispo ortodoxo ucraniano

En Junho, o bispo Hilário, da diocese de Makaryiv da Igreja ortodoxa ucraniana, visitou Taizé com dois outros sacerdotes. Como esta mesma delegação tinha participado recentemente no Encontro Europeu de Roma, estamos alegres por a amizade estar a crescer. No programa desta estadia em Taizé estava um encontro com voluntários de diversos países. Uma destas voluntárias, Karolina da Polónia, partilha aqui as suas impressões.

Quando eu estava à espera de uma conversa em torno da complexidade da liturgia ou sobre a situação actual da Igreja ortodoxa, eis que o bispo Hilário se centrou no que nós temos em comum como cristãos. De uma maneira simples e tocante, falou da necessidade de aceitar as pessoas como elas são e de as amar sem julgamentos, preconceitos ou estereótipos.
Também nos perguntou o que é que nós, jovens, gostávamos em Taizé, e em particular por que razão tínhamos decidido ficar aqui durante mais tempo. Como o bispo tinha deixado bem claro que não queria respostas feitas, isso permitiu que eu reflectisse realmente sobre o que me atraiu aqui.
Gostei do resumo que ele fez depois: tal como ele entendia, vir a Taizé significa termos uma oportunidade de aprender a viver como cristãos, para que, de regresso a casa, sejamos capazes de continuar a viver a nossa vida com Deus.

Maio: diversos ecos dos encontros

Mikaël (França)

Durante a minha semana em Taizé, fui surpreendido de forma muito agradável pela qualidade das partilhas que tivemos no meu grupo de partilha, depois da introdução bíblica. Graças à escuta dos outros membros do grupo, pude partilhar com eles, de modo muito profundo, um acontecimento da minha vida que foi muito difícil para mim. Todos tinham também para partilhar uma história pessoal relacionada com o tema bíblico do dia. E ter de passar pelo inglês, a única língua comum a todos, não foi um problema; pelo contrário, isso levou-nos a desenvolver as nossas ideias, para termos a certeza de que estávamos a ser bem compreendidos.

Esther (Espanha)

Pela primeira vez, passei uma semana em silêncio. Foi difícil! Mas, compreendi uma das realidades mais importantes da minha vida: Deus está sempre comigo. E não apenas está comigo e permanece ao pé de mim, mas ama-me. Li mais a Bíblia do que é costume e compreendi que Jesus esteve sempre a dizer isso aos seus discípulos, e principalmente a Pedro. Tal como eu, também Pedro cometeu erros; como eu, ele teve por vezes medo. Contudo, Jesus perdoou-o sempre; amou-o. Também a mim, ele me perdoa e me ama.
Assim, compreendi que Deus estará comigo, em mim, não apenas quando me sinto muito próxima dele, mas também quando não tenho o sentimento de ser uma boa cristã, quando me sinto longe dele. Agora, é o centro da minha vida, a razão para que eu continue aqui na colina o meu voluntariado de um ano.

Elinor (Suécia)

O período da minha vida em que me encontro neste momento chama-me a aprender mais sobre mim mesma, sobre o mundo, sobre Deus e sobre os seus planos para mim. Vim a Taizé e descobri muita bondade em Deus, nos outros… e em mim mesma!
Em Taizé, entre as pessoas, há um sentimento de confiança mútua, que dá vontade de ajudar os outros à nossa volta e suscita uma sensação de segurança. Ter experimentado esta bondade e sentir esta confiança e esta unidade foi uma etapa importante na minha procura de Deus.

Elena (Alemanha)

Durante esta estadia em Taizé, a minha primeira grande experiência teve lugar durante a fila para comer. Uma filha muito amável começou a falar comigo, apesar de nunca nos termos visto antes. É um sentimento agradável falar com pessoas assim e fazer novas amizades. Para mim, é esta a coisa mais bela que acontece em Taizé: encontramos tanta gente com quem temos sempre qualquer coisa em comum.


Abril: da Páscoa ao Pentecostes

Com as celebrações da Ascensão e do Pentecostes, os encontros internacionais conheceram um segundo pico de afluência, com uma clara maioria de jovens vindos da Alemanha. Chegaram já a Taizé voluntários que vão ficar até ao final do Verão, vindos da Índia, do Benim, de Madagáscar e da Colômbia. Uma semana depois da Páscoa ortodoxa, esteve também em Taizé um grupo de duas paróquias de Moscovo; no final da semana que passaram em Taizé, os jovens do grupo animaram um workshop com o tema «ser cristão na Rússia hoje em dia».

Para a Comunidade, as últimas semanas foram marcadas pela morte do irmão Jean-Pierre, originário da Suíça, que com 94 anos era o mais velho dos irmãos.

Houve também uma boa notícia: a entrada na Comunidade de um jovem da Tanzânia, que vive na fraternidade de Nairobi, no Quénia. O irmão Alois foi lá, entregar o hábito de oração ao novo irmão.


Março: Semana Santa e Páscoa

Na manhã de Páscoa, o irmão Alois pronunciou a seguinte oração:

Jesus Cristo, tu estás vivo, a morte não te guardou no seu poder! O anúncio desta extraordinária notícia mexe connosco. Abres uma brecha onde tudo parecia fechado. Pelo teu Espírito, sopras sobre as nossas renúncias e as nossas amarguras. Destróis as separações entre as pessoas. Devolves a dignidade aos mais pobres. Envias-nos para levarmos ao mundo a esperança de uma vida nova.

Esta oração está disponível em várias línguas neste documento

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Breve partilha sobre a Semana Santa de 2013 em Taizé

O Sérgio, de Portugal, passou dez dias em Taizé por alturas da Páscoa. Durante esse tempo manteve um diário sobre o que se passou em Taizé, recolhendo também testemunhos de outros jovens. Segue-se o que ele escreveu.

Quinta-feira 28 – O lava-pés

O dia começou frio, quando a multidão se dirigia para a igreja para a oração da manhã. Depois do pequeno-almoço, os jovens encaminharam-se para os lugares das introduções bíblicas dadas pelos irmãos. Durante a oração do meio-dia, um jovem do Chade juntou-se à Comunidade: o irmão Alois entregou-lhe o hábito branco que os irmãos usam nas orações comunitárias.

Ao longo deste dia, ainda serão acolhidos na colina mais de mil jovens de vários países, aumentando para mais de 3000 o número de pessoas que veio a Taizé para viver o fim-de-semana Pascal num espírito ecuménico.

Durante a oração da noite, após a leitura da passagem do Evangelho onde Jesus partilha a sua última ceia com os discípulos, o momento do lava-pés foi marcante. Este ano, pela primeira vez, os irmãos propuseram lavar os pés a todos aqueles que estavam presentes na igreja da Reconciliação. Este gesto marcou vários jovens com quem travei conhecimento:

«Apesar de saber de antemão que os irmãos iriam lavar os pés de todos durante a oração, poder viver de facto esse momento representou para mim um grande símbolo de humildade e de serviço para com os outros.» (Marta, Portugal)
 
«Já vim a Taizé várias vezes durante a Semana Santa. Este ano, o que mais me tocou foi a oração de Quinta-feira Santa, durante a qual normalmente o irmão Alois lava os pés aos seus irmãos na Comunidade. Desta vez, os irmãos espalharam-se pela igreja para lavar os pés de todos. Que surpresa bela e emocionante!» (Nádia, Itália)
 
«Já estive algumas vezes em Taizé, mas desta vez senti mais emoção ao viver a missa do lava-pés, com todos os participantes a serem protagonistas do momento. Foi muito especial sentir o serviço da Comunidade para os peregrinos que vêm passar a Páscoa de uma maneira diferente e simples. Taizé serve todos.» (Marco, Portugal)

A oração da noite continuou depois com a celebração da eucaristia.

Fotografia enviada pelo Pedro (de Portugal)

Sexta-feira 29 – Sexta-Feira Santa

O dia começou e muitos sentiam já o luto de Sexta-feira Santa. O tempo parecia também juntar-se ao lamento. Depois da oração da manhã e do pequeno-almoço, os peregrinos na colina participaram nas introduções bíblicas ou no seu trabalho, para os que se refletiam sobre a Bíblia durante a tarde. Neste dia, o texto escolhido pelos irmãos foi tirado do Evangelho de Mateus (26,36-46)

Durante a tarde, precisamente às 15h, um sino tocou durante alguns minutos. Cada pessoa trocou o que estava a fazer por um momento de reflexão e de oração, em silêncio, ao som do sino. Este foi outro momento forte que permitiu a todos recordarem a Paixão de Jesus, à hora da sua morte segundo o Evangelho.

À noite, a oração comunitária começou com uma procissão da cruz, levada pelos irmãos através de toda a grande igreja da Reconciliação. No final da oração, os irmãos ajoelharam-se perto da cruz, como em todas as sextas-feiras, e depois todos os que o desejaram puderam aproximar-se. Nessa noite o café Oyak esteve fechado e a vigília de oração continuou até de madrugada.

O Tobias, da Alemanha, disse-me: «É a minha sexta visita a Taizé e, mais uma vez, é completamente diferente das outras experiências. Na verdade, é algo muito especial estar aqui na Semana Santa – parece que o Espírito Santo trabalha no silêncio, nos cânticos, no trabalho e na partilha.» A Dina, de Portugal, acrescentava: «Nesta minha primeira vinda a Taizé, descobri o silêncio. Um silêncio que não é vazio, mas ao contrário cheio de amor. Encontrei-me, encontrei os outros e encontrei Aquele que sustenta tudo. As orações diárias foram uma etapa muito significativa neste encontro com Deus.»

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Encontro de um grupo sueco

Sábado 30 – A espera

Tal como ontem, hoje não houve eucaristia. O ícone da descida aos infernos foi levado em procissão na igreja – como um convite a recordar que mesmo na sua morte Jesus trabalha.

Hoje os jovens encontraram o irmão que lhes introduzia o texto bíblico pela última vez nesta semana e refletiram sobre o encontro de Cristo ressuscitado com os discípulos a caminho de Emaús (Lucas 24,13-35). A mim, isso fez-me pensar no quanto por vezes me é impossível reconhecer a presença de Deus na minha vida, mesmo quando ele está ao meu lado.

À tarde, os jovens reuniram-se com as suas equipas de trabalho ou pequenos grupos de partilha. Depois, durante a oração da noite, um irmão basco fez o seu compromisso para toda a vida na Comunidade. A alegria dos irmãos e dos jovens era notável. No final da oração, o irmão Alois fez uma meditação.

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Fotografia enviada pelo Ye-Weon (da Coreia)
«Este ano, quando cheguei a Taizé era-me difícil rezar e fazer silêncio, havia demasiadas coisas a fazer barulho na minha cabeça. Falei sobre isso comum irmão e ele disse-me que estar na presença de Deus já é rezar. Isso ajudou-me muito.» (Lotti, Alemanha)
 
«Não fazia ideia nenhuma do que vinha encontrar em Taizé. A minha estadia começou como uma aventura e terminou numa experiência formidável. Tempos de silêncio, orações poderosas, partilha dos nossos sentimentos e das nossas dúvidas com jovens de todo o mundo… isso fortaleceu a minha fé e agora espero vivê-la de forma mais forte. » (Camino, Espanha)

Domingo 31 – A alegria da Ressurreição

Domingo de Páscoa chegou finalmente! Desde o início da celebração, a luz brilhava e a alegria explodiu com o primeiro Aleluia. Um momento muito bonito. No final, a saudação pascal foi dita pelo irmão Alois e outros irmãos em mais de 25 línguas: Cristo ressuscitou! Ressuscitou verdadeiramente!

À tarde, vários grupos deixavam a colina para regressar a casa e outros preparavam-se para o fazer. Entre estes, a Nadina, da Alemanha, escreveu:

«Cristo ressuscitou! Ressuscitou verdadeiramente! O ambiente na igreja era extremamente alegre enquanto se repetiam estas palavras em muitas línguas. Eu nunca as tinha dito com tanta emoção. Desde o lava-pés de quinta-feira e a oração à volta da cruz de sexta, esperava interiormente pela Páscoa. Cantar o Aleluia foi como um novo começo. O sol apareceu finalmente. Espero levar comigo esta luz e transmitir na minha vida quotidiana a alegria pascal.»

Segunda-feira 1 de Abril – Um novo dia de acolhimento

Mais de três mil jovens chegaram hoje à colina. Os mais numerosos são os alemães. O sol brilhou durante todo o dia e na igreja ecoavam os cânticos alegres celebrando a ressurreição. Partilho um último testemunho, de um jovem português chamado Miguel:

«Um dos aspectos mais marcantes para mim foi partilhar a fé e as experiências pessoais com jovens do mundo inteiro. Nestes encontros, depois das introduções bíblicas dadas pelos irmãos, jovens muito diferentes uns dos outros podem caminhar juntos em direção a Deus e descobrir-se a si próprios. Depois da partilha, a oração ajuda-nos a descobrir Deus em nós.»
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Workshop «Rumo a uma nova solidariedade» - Fotografia enviada pela Natalie (da Alemanha)

Taizé: Em Fevereiro, ao ritmo da Quaresma

Várias centenas de jovens portugueses viveram a entrada no Tempo da Quaresma junto da Comunidade. No serão da primeira quarta-feira deste período de caminho para a Páscoa, durante a oração comunitária, os irmãos fizeram uma cruz com cinzas na testa de cada um, convidando a «confiar no Evangelho». O altar foi coberto com a cor púrpura e nas orações não se canta «Aleluia», para que ressoe ainda mais na festa da Páscoa. Há hinos especiais para este Tempo, que ajudam a viver esta espera.

Esta preparação para a grande festa da ressurreição não é apenas espiritual: os voluntários e os jovens de passagem estão a montar as tendas, grandes e pequenas, que permitirão acolher milhares de peregrinos na Semana Santa. Também se sente que a natureza desperta gradualmente e Taizé teve os seus primeiros dias de sol depois de muita neve em meados de Fevereiro.

Estas últimas semanas foram marcados na colina pela chegada de vários grupos de jovens de diferentes regiões da França, devido às férias escolares. Os maiores grupos vieram de Tours, Lyon e de várias cidades de Seine-Saint-Denis. Alguns desses grupos foram acompanhados pelo seu bispo durante uns dias.


Uma semana proveitosa em silêncio

Shiela (Filipinas)

Durante o tempo que passei em Taizé como voluntária, a semana de silêncio foi realmente uma bênção que me ajudou a entrar numa profunda descoberta de mim mesma. Guiada pelo texto da introdução bíblica quotidiana, principalmente as passagens do Evangelhos sobre o filho pródigo e sobre Jesus caminhando com Pedro sobre as águas, encontrei grande inspiração. Aprendi que o silêncio não é apenas a ausência de palavras ou de conversas. O silêncio também é apreciar tudo o que nos rodeia e, acima de tudo, encontrar Deus e ouvi-lo falar no silêncio dos nossos corações.


Taizé: em Janeiro os encontros recomeçam durante o frio invernal

Nestas primeiras semanas de 2013, os encontros internacionais recomeçaram. Os jovens mais numerosos em Janeiro eram da Bélgica, mas também houve alguns que vieram de muito longe: da Coreia, do Burundi, do Botswana, do Chile, dos Estados-Unidos… A maioria eram estudantes ou jovens profissionais e aproveitaram uns dias de férias no início do ano para visitar Taizé. Alguns tiveram que alterar a data de chegada, por causa dos grandes nevões.

Durante estas semanas, a oração da comunidade juntou-se aos acontecimentos no mundo: o conflito no Mali, a reconstrução do Haiti três anos depois do tremor de terra ou a celebração do quinquagésimo aniversário da reconciliação franco-alemã. A festa da Epifania foi celebrada em especial comunhão com os cristãos do Oriente, alguns dos quais festejavam o Natal na mesma altura.

De 18 a 25 de Janeiro teve lugar a semana de oração pela unidade dos cristãos, cujo tema tinha sido preparado por estudantes indianos. Neste contexto, houve em Taizé uma vigília de oração, na igreja da Reconciliação, com a presença do bispo de Autun, de pastores protestantes e do padre ortodoxo da região. Um irmão, que vive há trinta anos no Bangladesh, também animou um encontro sobre o testemunho dos cristãos da Ásia.

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Dar o melhor ao outro

Bishoy (Egipto)

No início do meu tempo como voluntário em Taizé tinha algum receio das dificuldades em entrar em contacto com as pessoas, em fazer novos amigos. Mas rapidamente percebi que é muito fácil e que as pessoas estavam muito receptivas. Aprendi muito: sobre como viver em comunidade, sobre trabalhos práticos, sobre outras línguas e culturas. Um ponto forte durante a minha estada em Taizé foi constatar um verdadeiro amor entre as pessoas e o desejo de cada um em dar o que tem de melhor aos outros. A vontade que os jovens têm de ajudar os outros voluntariamente marcou-me. Alegro-me de regressar agora ao Egipto com todas estas experiências gravadas na minha memória.


O desejo de oração

Velimir (Croácia)

Por vezes as pessoas caem numa «rotina da fé»: a oração e o facto de irem à igreja tornam-se simples tradições, vamos «porque é assim». Uma passagem por Taizé torna a oração obrigatória, não no sentido de algo a que somos constrangidos mas de um desejo. Concentramo-nos no diálogo e na nossa própria relação com Deus. Mas não é apenas a oração que constrói aqui a espiritualidade, é também a confiança. Partilhamos os nossos pontos de vista com jovens que acabámos de conhecer, confiamo-nos aos outros e a Deus.

Se participares nos encontros em Taizé e quiseres propor um texto ou uma ilustração para esta página, podes contactar echoes taize.fr.

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