Outono de 2015

Dois irmãos no Médio Oriente

No passado mês de Setembro, dois irmãos iniciaram uma longa jornada pelo Médio Oriente, onde vão estar bem de perto com os refugiados no Líbano, antes de visitarem o Egipto e outros países. Aqui nesta página, vamos publicar informação sobre os encontros e as orações em que eles vão participar e os ecos das suas visitas.

Oração em Beirute

Uma oração com cânticos de Taizé, com a presença do irmão Alois e dos irmãos que estão no Médio Oriente desde Setembro, terá lugar sexta-feira 18 de Dezembro, às 19h, na igreja das Irmãs Franciscanas em Badaro, Beirute.


Novembro: Junto de refugiados na Jordânia

Depois de seis semanas no Líbano e de duas semanas no Egipto, chegámos a Amã, na Jordânia. Uma das primeiras coisas que fizemos foi visitar o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Esta visita permitiu-nos a compreender melhor a situação dos refugiados neste país. Tal como no Líbano, a maioria dos refugiados na Jordânia são da Síria. Na Jordânia, há actualmente 630.000 refugiados registados provenientes da Síria. Além disso, há 60.000 refugiados provenientes do Iraque e 7.000 do Sudão, da Somália e de outros países.

Também visitámos outra organização que trabalha com refugiados, o «Serviço Jesuíta aos Refugiados». Com eles, pudemos fazer visitas a famílias que fugiram da guerra em países vizinhos. Já tínhamos feito este tipo de visitas durante a nossa estadia no Líbano, com famílias de refugiados provenientes do Iraque e da Síria. Para estas visitas, acompanhamos um ou outro dos voluntários que, durante meses, visitam regularmente as famílias. Através destas visitas podemos realmente ver as condições de vida destas pessoas.

As vidas dos refugiados é extremamente difícil. Muitos deles tiveram que deixar as suas casas e o seu país, fugindo apressadamente o perigo e deixando tudo para trás. Para alguns, as únicas coisas que puderam trazer com eles foram as roupas que vestiam. Muitos deles, especialmente mulheres e crianças, ficaram feridas e severamente traumatizadas pela violência que testemunharam no seu país.

As crianças sofrem imenso. Em alguns casos, não podem ir à escola. Há toda uma geração que não recebe a educação básica de que precisa para o seu futuro. Há também crianças que têm que trabalhar para ganhar algum dinheiro para as suas famílias. Dos quatro milhões de refugiados da Síria no Oriente Médio, dois milhões são crianças.


Um futuro de paz para o Líbano

O dia a dia no Líbano é marcado por um clima de tensões permanentes e de guerra que reinam em toda a região. Com a chegada de milhares de refugiados – principalmente sírios – um imenso cansaço generalizado e até, por vezes, algum desânimo fazem-se sentir por todo o país.

Felizmente, tirando os partidos políticos frequentemente desacreditados, há também quem, através de vários grupos ou associações, mostre que é possível viver em paz e contribua para o desenvolvimento de solidariedade entre os povos, respeitando e acolhendo as diferenças, nomeadamente religiosas.

Num bairro a Este de Beirute, chamado Nabaa, uma franciscana missionária de Maria fundou uma associação: Beitouna, que significa «a nossa casa». Esta associação criou um pequeno espaço num edifício pobre para onde podem ir famílias em grandes dificuldades, não apenas libanesas, mas também sírias, iraquianas, africanas, asiáticas…

Tivemos um encontro muito interessante com uma associação chamada Adyan, o que quer dizer «Religiões», fundada por um conjunto de cristãos e de muçulmanos. Eles conseguiram que o dia 25 de Março, festa da Anunciação, se tornasse feriado para os cristãos e muçulmanos, pois também os muçulmanos veneram a Virgem Maria. Estes jovens querem um futuro de paz, um futuro a construir em conjunto por cristãos e muçulmanos.


Os primeiros dias no Líbano

Desde os primeiros dias que conseguimos visitar famílias refugiadas que vivem em habitações precárias, em Beirute. De todas as vezes, encontramos famílias com crianças que têm de partilhar um ou mais quartos comuns. Todas estas famílias experienciaram recentemente grandes provações quando fugiram. As famílias contaram-nos muitas histórias de horror e episódios de crueldade.

Uma manhã, fomos visitar as famílias caldeias que fugiram do Iraque durante o bombardeamento da cidade, Mossul. A sua vida em Beirute não é fácil: muitas famílias têm de viver juntas de modo a conseguirem pagar a renda aos senhorios que se aproveitam da sua situação. Têm imensas dificuldades em encontrar trabalho, o trabalho existente é duro e muitíssimo mal pago. É muito difícil e às vezes quase impossível enviar as crianças para a escola.

A noite passada, numa área de classe operária fora de Beirute, tivemos uma excelente reunião com as Irmãzinhas de Jesus e um grupo de cerca de 25 jovens que elas convidaram. Era um mosaico representativo da diversidade da população que vive no Líbano - Libaneses, Sírios, Egípcios, Arménios e Iraquianos.

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