Do Darfur a Taizé, passando por Calais

No mês de Junho, foi acolhida em Taizé uma família de refugiados. Em 2014, o casal com os seus dois filhos tinha fugido do Curdistão Iraquiano. Uma outra família, egípcio-iraquiana, que está em Taizé há alguns anos, ajudou muito na sua instalação na aldeia.

Como a Comunidade tinha manifestado disponibilidade para acolher outros refugiados, chegaram a Taizé dia 5 de Novembro 7 jovens migrantes vindos da «selva» de Calais. São todos do Sudão e têm entre 19 e 26 anos. Vários perderam membros das suas famílias no conflito no Darfur, onde alguns familiares ainda se encontram em campos de refugiados. Os jovens foram alojados numa casa na aldeia de Taizé; o acolhimento dos vizinhos foi muito caloroso e há uma bela vaga de solidariedade que se tem manifestado na região.

Mais recentemente, chegaram a Taizé mais 3 Sudaneses e um Afegão.


Em colaboração com a Comunidade, várias pessoas, associações e instituições estão a apoiar o acolhimento destes jovens. A vizinha mais próxima, a Orsi, está desde o início muito empenhada no apoio aos jovens. Ela escreve:

Eles chegaram a Taizé, vindos de Calais, numa noite de denso neveiro e de frio. Estavam cansados, com medo, esfomeados e sentiam-se perdidos. Não nos conheciam e nitidamente não tinham confiança. Não faziam ideia nenhuma sobre o que é o local onde os traziam. Atravessaram todos situações de grande sofrimento e agora todos pediram asilo em França. São todos muçulmanos.
 
Na manhã de 14 de Novembro, quando souberam o que se tinha passado em Paris na véspera, sentiram-se muito mal. A primeira reacção foi de desolação, afirmando que o Islão não é aquilo. Repetiram isso várias vezes. Depois perguntaram-nos se podiam rezar pelas vítimas e pelas suas famílias e nós, evidentemente, dissemos que sim. E eles rezaram. Depois chorámos juntos. Domingo às 18h30, como todas as semanas, havia uma oração em silêncio pela paz no mundo. Eles ficaram contentes de participar neste momento connosco.
 
Penso que perante todas estas dificuldades que se passam à nossa volta, a nossa resposta deve ser acolher sempre mais, desejar partilhar, reflectir juntos, procurar compreender. Como mostrar que a bondade é mais forte que o mal, que a alegria é mais forte que o horror, que a esperança é mais forte que as trevas, que a vida é mais forte que a morte?

Dez dias depois dos atentados em Paris, um tempo de oração em homenagem das vítimas foi proposto pelo Secretariado Inter-religioso da região onde se situa Taizé, na igreja protestante de Chalon-sur-Saône. Dois irmãos de Taizé participaram nesta oração, juntamente com os 7 jovens do Sudão.

Printed from: https://www.taize.fr/pt_article19914.html - 13 April 2021
Copyright © 2021 - Ateliers et Presses de Taizé, Taizé Community, 71250 France