Artigo do irmão Alois

75º aniversário da morte de Dietrich Bonhoeffer

O pastor protestante alemão Dietrich Bonhoeffer morreu dia 9 de Abril de 1945, há exatamente 75 anos. Na ocasião deste aniversário, a editora alemã Präsenz Medien & Verlag pediu ao irmão Alois que escrevesse um artigo, que publicamos também aqui.

Cristo de comunhão

Dietrich Bonhoeffer recorda-nos que a comunhão entre todos aqueles que amam Cristo apenas pode crescer e aprofundar-se a partir de Cristo: «É somente através de Jesus Cristo que somos irmãos uns dos outros. Sou irmão de outras pessoas por causa do que Jesus Cristo fez por mim e em mim; o outro tornou-se um irmão para mim por causa do que Jesus Cristo fez por ele e nele. O facto de sermos irmãos somente através de Jesus Cristo tem uma importância incalculável... É somente através de Cristo que pertencemos uns aos outros, mas através de Cristo a nossa pertença recíproca é real, integral e para a eternidade». [1]

Com demasiada frequência, o ponto de partida para a busca da unidade tem sido a análise das divisões. Talvez isso seja necessário numa etapa preliminar. No entanto, como o expressava Bonhoeffer, o ponto de partida deve ser Cristo, que não está dividido. Sim, Cristo Ressuscitado reúne numa única comunidade homens e mulheres de todos os horizontes, línguas e culturas e até de nações inimigas.

O irmão Roger, fundador de Taizé, gostava desta expressão que citou em várias orações: «Cristo de comunhão». Essa expressão está muito próxima do pensamento do teólogo de Berlim que cunhou a expressão «Cristo existindo como comunidade» e que também escreveu «por meio de Cristo a humanidade é verdadeiramente restabelecida na comunhão em Deus.» [2] Para Bonhoeffer, não se trata apenas de uma ideia teórica, mas de um apelo a colocar em prática uma vida comunitária, como ele viveu com os jovens candidatos ao ministério pastoral no seminário de Finkenwalde entre 1935 e 1937.

Outro ponto essencial sobre o qual nos sentimos muito próximos é o vínculo estreito que existe entre a fé e o compromisso com os outros, entre o amor a Deus e o amor ao próximo. Sim, a vida em Cristo apenas pode ser solidariedade com o mundo. [3] «A Igreja é apenas Igreja quando existe para os outros.» [4] Uma solidariedade que levou Dietrich Bonhoeffer, depois de algumas semanas de exílio nos Estados Unidos, a retornar à Alemanha, como ele explica numa carta comovente e escrita em Julho de 1939: «Não terei o direito de participar na reconstrução da vida cristã na Alemanha depois da guerra se não partilhar as provações deste tempo com meu povo. [5]

Neste 75º aniversário da morte de Dietrich Bonhoeffer, o testemunho da sua vida dada permanece profundamente relevante. Ele conhecia a dúvida. Referindo-se ao clamor de Jesus na cruz, observou: «O Deus que está connosco é quem nos abandona» [6] Nas horas mais sombrias do século 20, ele colocou a sua fé em acção, até o martírio. Apenas alguns meses antes de sua morte, escreveu um texto na sua prisão [7] das quais cantamos algumas palavras em Taizé, com os milhares de jovens visitantes que se juntam a nós na oração comunitária:


Deus, reúne os meus pensamentos em direcção a ti.
Junto a ti, a luz; tu não me esqueces.
Junto a ti, o apoio; junto a ti, a paciência.
Não entendo os teus caminhos,
Mas tu conheces o caminho para mim.

Irmão Alois, Taizé

[1Da vida comunitária, Genebra, Labor et Fides, 2007, p.29-30

[2«Sanctorum Communio», 1927

[3David H. Jensen, «Religionless Christianity and Vulnerable Discipleship: The Interfaith Promise of Bonhoeffer’s Theology»

[4«Widerstand und Ergebung», DBW Band 8, p. 560

[5Reinhold Niebuhr, em Julho de 1939, citado em «A Testament to Freedom: The Essential Writings of Dietrich Bonhoeffer»

[6«Widerstand und Ergebung», DBW Band 8, p. 534

[7«Widerstand und Ergebung», DBW Band 8, p. 204

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