Textos bíblicos com comentário

Estas meditações bíblicas são sugeridas como meio de procura de Deus no silêncio e na oração, mesmo no dia-a-dia. Consiste em reservar uma hora durante o dia para ler em silêncio o texto bíblico sugerido, acompanhado de um breve comentário e de algumas perguntas. Em seguida constituem-se pequenos grupos de 3 a 10 pessoas, para uma breve partilha do que cada um descobriu, integrando eventualmente um tempo de oração.
2014

Setembro

Mateus 6,19-21: Os verdadeiros tesouros
Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
(Mateus 6, 19-21)

Um tesouro pode referir-se a algo que desejamos ardentemente ou a algo que guardamos preciosamente. Um tesouro alegra-nos no presente e é uma segurança no futuro. É natural que o nosso coração se vire para o que deseja ou que se prenda ao que possui.

Jesus convida-nos a olhar para os nossos tesouros com discernimento. Convida-nos a distinguir as buscas fúteis e os bens efémeros daquilo que de mais durável ali se pode encontrar.

Talvez tenhamos já vivido uma espera impaciente pela chegada do fim-de-semana, para encontrar uma fonte de alegria. Contudo, rapidamente percebemos que não poderia ser mais do que um episódio e que nada de fundamental mudara. Ou, talvez, tenhamos trabalhado por muito tempo para conseguir um certo emprego ou poupado muito dinheiro para comprar um objecto específico. Mas tomámos consciência que, uma vez obtido, o cargo ou o objecto desejado perdeu a sua importância.

Pode até acontecer que aquilo que considerámos um tesouro que nos daria uma segurança no futuro perca o seu valor. Uma queda nos mercados financeiros pode desvalorizar um pacote de acções de forma tão radical como as traças destroem uma colheita. Uma conjuntura económica desfavorável pode mesmo conduzir ao colapso os valores do mercado imobiliário.

Diante desta realidade, a Bíblia não cessa de expressar a sua confiança na fidelidade de Deus. A vida é frágil, mas a palavra de Deus não falha (cf. Isaías 40,8). O homem morre facilmente, mas o amor de Deus é para sempre (cf. Salmo 103,16-17).

Qual é o nosso tesouro? Onde encontrar a nossa alegria e a nossa segurança? A que prender o nosso coração?

Para Martinho Lutero, esta questão é o equivalente a dizer: Quem é o nosso Deus? Escreve: «Aquilo a que prendes o teu coração é o teu Deus». É dele que esperamos todos os bens, é nele que encontramos refúgio em momentos de angústia. Quando, nos seus mandamentos, Deus nos diz para não possuirmos outro Deus além de si, «é como se nos dissesse: o que te falta, espera-o de mim e procura-o junto de mim. Eu dar-to-ei. Serei eu que to darei. Não prendas o teu coração a outros nem repouses junto a outrem.»

É Deus quem merece ser procurado e amado. É o valor seguro que não se altera. O seu amor por nós é a base sólida inabalável. Nela podemos edificar uma casa feita de fé, esperança e caridade. Segundo São Paulo, são estas as três coisas que permanecem (1 Coríntios 13,13). Também as apelida de «virtudes teologais», porque nos são dadas por Deus e a ele nos conduzem.

- Onde procuro alegria e segurança?

- Que procuras entendo valerem a pena ser perseguidas?

- O que me ajuda a confiar em Deus?



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Última actualização: 1 de Setembro de 2014