Irmão Matthew

Peçamos a graça de amar

Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Obrigado por estarem connosco nesta semana em que entramos no tempo da Quaresma. Vêm como o sol que rompe as nuvens, trazendo consigo a esperança da beleza da primavera, que começa a despontar suavemente após o longo inverno.

Esta semana é quase como um encontro atlântico! Muitos de vocês vieram de Portugal e outros juntaram-se a nós vindos de Nova Iorque. Uma saudação muito especial a todos. Gostaria de expressar a minha gratidão a todos os professores e outros responsáveis de grupos que vos acompanharam, jovens portugueses, durante esta semana, e também ao Bispo Dom Virgílio, de Coimbra, por estar connosco nestes dias. A vossa presença é importante!

E entre os jovens dos Estados Unidos, sei que há alguns de vocês que fazem tudo o que podem para apoiar migrantes, refugiados e pessoas à margem da sociedade no vosso país. Obrigado pela vossa coragem. Saibam que estamos convosco em todos os vossos esforços.

Daqui a pouco, dois de vocês irão colocar-me uma pergunta. Mas, antes disso, gostaria de partilhar algumas palavras que já partilhei com os meus irmãos ao iniciarmos a Quaresma.

Durante a oração da manhã de ontem, na Quarta-feira de Cinzas, foram ungidos com o óleo e ouviram as palavras: «Recebe o óleo da alegria e da coragem.» Na Epístola aos Hebreus, Deus diz ao seu Filho: «Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo da alegria.» (Heb 1,9).

Perguntei-me se, durante esta Quaresma, cada um de nós poderia reservar tempo para recordar os momentos de alegria vividos com outros ao longo deste último ano e dar graças por esses momentos. Não serão eles os verdadeiros sinais desta unção que Deus nos oferece?

Mas, no versículo da Carta aos Hebreus, fala-se também de amar a justiça e de rejeitar o mal. Quanto a mim, decidi que, durante esta Quaresma, quero pedir ao Espírito Santo que me ajude a não julgar os outros, pois é muitas vezes essa armadilha que nos rouba a alegria nas nossas relações uns com os outros. Peçamos a graça de amar cada pessoa tal como ela é!

Muitas vezes queremos renunciar a algo material durante a Quaresma, privar-nos de alguma coisa, mas existem também renúncias interiores, cheias de alegria, que nos libertam, transformam o nosso coração e constroem comunhão. Não será isso o que Deus nos pede a todos?

Juntem-se a nós amanhã, enquanto rezamos em silêncio pela paz no nosso mundo. Somos confrontados com tantas situações de violência, tanto perto de nós como noutros países.

Esta manhã, um irmão partiu para a Ucrânia, onde irá visitar jovens que conhecemos e que vivem nesta terra devastada pela guerra. Outro irmão juntar-se-á a ele no domingo. O dia 24 de fevereiro marca o quarto aniversário do início da invasão em grande escala deste país, numa guerra que, na realidade, já começou em 2014. Jovens ucranianos que hoje têm vinte anos passaram mais de metade das suas vidas com o espectro do conflito presente. Não os podemos esquecer. Dentro de alguns dias, outro irmão irá ao Myanmar, onde há tanto sofrimento, tanto para os cristãos como para toda a população.

Ao começarem a preparar o vosso regresso a casa, por favor, reflitam sobre aquilo que foi importante para vocês durante a vossa estadia em Taizé. Como poderão colocar isso em prática no vosso dia a dia? Na comunidade da Igreja, mesmo que não seja fácil e, de certa forma, tenham de deixar para trás o ambiente de Taizé, podem continuar a procurar Cristo.

Muitos de vocês vieram em grupos e partilharam uma experiência em conjunto. Falem entre vocês e procurem apoiar-se mutuamente!

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Publicado a 23 de fev. de 2026